
Se eu ainda amo?
Ah, querido, não me restam dúvidas quanto a isso. Eu amo sim, e muito. Nunca soube demonstrar, falar, nem sequer explicar meu amor em palavras. Mas você o via só de me olhar, só de sentir meu corpo arrepiar com teu toque. Se eu ainda amo o arrepio que você causava? Sim, é claro que sim. Ele não é um porcento sequer das infinitas lembranças que tenho com você, de você, de nós. E é aí que está todo o meu amor.
Eu amo cada lembrança nossa, todos os erros que cometemos, todos os acertos inclusive. Amo quando você me olhava demoradamente e minha pele queimava em cada centímetro que seus olhos alcançavam. Eu amo, ainda amo, as memórias que guardo - os momentos, as brigas, a pausa para o amor. Nunca deixei de amar essas coisas, nunca deixarei.
Eu amo "nós". Eu nos amo. Juntos, separados, sempre infalíveis. Não só amo, mas admiro, o que se passava entre a gente. Aquele amor todo. Era amor, eu sei que era. Um amor diferente. Que não teve outro igual, nem terá. Amo termos sido tão excêntricos. Sinto por não termos sido nada mais concreto do que isso.
Mas qual parte é novidade para você? Repeti o que você já sabe, em resposta à sua pergunta. Sua pergunta tão óbvia, tão ridiculamente óbvia. Pois é claro que eu amo. Amor é o que não falta aqui. Eu amo o meu passado, eu amo o nosso passado. Eu ainda amo TUDO que pertenceu a nós dois, eu ainda amo NÓS DOIS.
Eu apenas não amo mais você.
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