Foi você quem mudou o conceito de que todo homem é substituível. Você me fez pensar duas vezes, três, às vezes quinze, sempre antes de fazer qualquer coisa. Você me fez pensar em casamento, filhos, casa de praia e futuro, coisas que não costumavam passar pela minha cabeça. Encho a boca pra te chamar de amor, pois foi você quem me ensinou a amar, em todos os sentidos da palavra. Te amar me faz nova, completa, feliz; quase esquecer do passado. Quase - pois é bom ter uma comparação, só pra ter certeza de que você é o único assim, a ponto de ninguém conseguir ser comparado com você. "Só se sabe o que é bom quando conhece o ruim...". Não sei se eu te escolhi, você me escolheu, ou se a escolha foi mútua e consciente, mas sei que foi a melhor escolha que já fiz na vida. Esperaria dezoito anos se eu soubesse que você apareceria e viraria minha vida de cabeça pra baixo, colocando-a finalmente no seu lugar certo. Porque meu lugar certo, amor, é do seu lado. É dentro desses braços enormes e fortes que me aconchegam no frio, no calor e no amor. Meu lugar é deitada na tua cama, com a casa vazia e as mentes cheias. E é quando a gente fica à sós, quietos, sorridentes, que eu me sinto finalmente inteira. Como se não precisasse de nada além de você. Apesar de motivos tristes me levarem a escrever sobre você, posso apenas falar coisas boas. Não existe solidão, sofrimento ou carência do teu lado. Você supre todas as minhas necessidades, vontades, desejos - mudou aquela história particular de que de mim só saia histórias ruins. Mudou a ideia de que eu tinha dedo podre. Você mudou meu conceito de amor, felicidade, cumplicidade, fidelidade. Mexeu com meu gênio forte, em lugares desconhecidos até por mim, me fazendo acreditar que amor é o oposto de dor, amar é o contrário de sofrer. Não acredito mais que o amor machuca, fere, mente, pisa. Agora sei que o amor de verdade acolhe, vibra, apoia, adora. O amor verdadeiro é amor uma vez e não deixa de ser mais. Se deixa de ser, não era amor. E você, definitivamente, é meu amor...
domingo, 14 de abril de 2013
De verdade
Foi você quem mudou o conceito de que todo homem é substituível. Você me fez pensar duas vezes, três, às vezes quinze, sempre antes de fazer qualquer coisa. Você me fez pensar em casamento, filhos, casa de praia e futuro, coisas que não costumavam passar pela minha cabeça. Encho a boca pra te chamar de amor, pois foi você quem me ensinou a amar, em todos os sentidos da palavra. Te amar me faz nova, completa, feliz; quase esquecer do passado. Quase - pois é bom ter uma comparação, só pra ter certeza de que você é o único assim, a ponto de ninguém conseguir ser comparado com você. "Só se sabe o que é bom quando conhece o ruim...". Não sei se eu te escolhi, você me escolheu, ou se a escolha foi mútua e consciente, mas sei que foi a melhor escolha que já fiz na vida. Esperaria dezoito anos se eu soubesse que você apareceria e viraria minha vida de cabeça pra baixo, colocando-a finalmente no seu lugar certo. Porque meu lugar certo, amor, é do seu lado. É dentro desses braços enormes e fortes que me aconchegam no frio, no calor e no amor. Meu lugar é deitada na tua cama, com a casa vazia e as mentes cheias. E é quando a gente fica à sós, quietos, sorridentes, que eu me sinto finalmente inteira. Como se não precisasse de nada além de você. Apesar de motivos tristes me levarem a escrever sobre você, posso apenas falar coisas boas. Não existe solidão, sofrimento ou carência do teu lado. Você supre todas as minhas necessidades, vontades, desejos - mudou aquela história particular de que de mim só saia histórias ruins. Mudou a ideia de que eu tinha dedo podre. Você mudou meu conceito de amor, felicidade, cumplicidade, fidelidade. Mexeu com meu gênio forte, em lugares desconhecidos até por mim, me fazendo acreditar que amor é o oposto de dor, amar é o contrário de sofrer. Não acredito mais que o amor machuca, fere, mente, pisa. Agora sei que o amor de verdade acolhe, vibra, apoia, adora. O amor verdadeiro é amor uma vez e não deixa de ser mais. Se deixa de ser, não era amor. E você, definitivamente, é meu amor...
quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
Insaciável
Cinco e meia da manhã e eu não quero sono, cama, vodca ou um copo d'água. Eu quero amor. Cinco e meia da manhã e tudo o que eu quero é um pouco de amor. Errado querer tanto isso? Quero te ligar pra você me buscar agora em casa só pra eu dormir duas horinhas com você enquanto o despertador não toca. Quero, sim, ficar de conchinha e deixar meu cabelo no seu rosto te irritando. Quero receber amor, quero dar amor. Quero sentir mais uma vez, por mais que seja a última das primeiras ou a primeira das últimas vezes, o que é ser amada. Quero olhar pro lado e flagrar você perdido em pensamentos me encarando, sorrindo, enquanto eu coro e me sinto a mulher mais linda do mundo. Não é isso que o amor faz? Pois é exatamente isso que eu quero. Quero você acordado no meio da noite buscando dois copos de água. Quero provocar tua sede, tua insônia, tua preocupação de me cobrir à noite, teus pesadelos e teu abraço depois do susto. Não pretendo ser a mulher que anda do teu lado pra bonito, e sim a que te espera chegar em casa com a janta pronta, mesmo que seja duas da manhã e a única fome que você sinta seja de amor. Eu te daria amor, saciaria tua fome, te colocaria pra dormir. Porque o amor é isso. É um pouco de tudo e um tudo de nada. É a vontade de chegar mais perto mesmo quando o único espaço nos separando é o braço da cadeira do cinema. Quero aplaudir tuas vitórias de pé e ser aquela que te olha com orgulho e te causa orgulho por eu me sentir assim. Quero te causar orgulho também, mesmo toda descabelada numa quinta à noite, com apenas uma calcinha grande de oncinha e uma leve marca de biquíni tapando meu corpo. Quero você no meu sofá na madrugada de domingo pra segunda passando os canais da televisão e esperando o resto da casa dormir para fugirmos. Quero fugir com você. Agora, na terça, no sábado. Quero ser tua por dois minutos, mas te ter por uma eternidade. Uma eternidade de insônias, amores incansáveis e recomeços.
sábado, 24 de novembro de 2012
Sem querer
Sei que você pensa em mim. Sei que, apesar de o dia ter sido cheio, apesar das provas da faculdade e a pressão do trabalho, você chega em casa exausto e pensa em mim. Sei que, por mais que você não tenha tempo pra nada, consegue arranjar dois minutos no computador pra saber alguma notícia minha. Sei como é porque faço a mesma coisa. Meu celular não fica quieto, passo o dia inteiro ocupada, não tenho tempo pra sentir saudade. Outras pessoas, com outras vozes e cabelos e cheiros, fazem o favor de me manter sempre distraída. Mas uma hora todo mundo dorme. Todo mundo, menos eu. Uma hora eu deito no travesseiro e a cidade inteira está adormecida. Menos eu. Menos você. Você relaxa o corpo na cama pela primeira vez no dia e é tão bom que chega a doer. A mente quase vazia é "quase" pois desloca de algum lugar obscuro a minha imagem. E você se pergunta o que eu estou fazendo, ou com o que estou sonhando, enquanto eu estou pensando o mesmo de você. Dá saudade. Uma saudade quase saudável. Uma saudade gostosa que aquece o peito e delicia a alma. Faz tanto tempo que não te vejo que às vezes é difícil visualizar teu rosto, como se ele fosse se apagando aos poucos da memória, mas teu sorriso torto está marcado fortemente... Teu cabelo liso, teus olhos escuros e penetrantes. Você está todo marcado por aqui. E eu penso, penso sem querer, quase involuntariamente. E sei que você pensa em mim também. Sem querer ou por querer. Estou sentindo tua falta, hoje mais do que esses dias que tem se passado. Já não sei se faço falta também, mas sei que você pensa nisso. Essa é a única certeza que eu tenho. Porque o resto é dúvida e elas não me importam realmente. Tenho escrito bastante, mas não termino nenhum dos meus textos. Ficam todos sem final, transparecendo o quão incompleta eu estou. Nunca tinha acumulado tantas palavras soltas e sem finalidade, nunca até você. Até essa maré de pensamentos noturnos e duvidosos me encher toda noite, deixando saudade. Uma saudade que não pede volta, perdão, palavras. Ela pede mais um braço apertado de um corpo que costumava ser um só comigo. Pede compreensão por não saber ir embora e de vez em quando ligar pra você. Sinto-me culpada por ainda sentir um frio na barriga quando te vejo ou por chorar por saber que você estava com outra pessoa. É triste ver um amor tão bonito ser entregue a um outro alguém. Um amor que era meu, dividia espaço com o meu e se entregava só pra mim. Sei que, apesar de toda a negação, nenhum sentimento que foi tão forte morre assim do nada. Virão muitas pessoas e muitos sentimentos e muitas estações. Os invernos serão piores do que os verões. Seu pé gelado vai procurar involuntariamente o meu embaixo das cobertas. Sem sucesso. Coloque outro pé pra te esquentar, outra voz no teu ouvido pra te acordar, outro corpo pra ir jantar com você. Não me importo porque sei que nenhum vai me substituir, de um jeitinho ou de outro. Continuo marcada aí. Orgulho-me de ter te deixado tão mal acostumado. Assim, toda vez que alguém não entender tuas brincadeiras ou não insistir pra rachar a conta com você, eu estarei na sua cabeça. Porque você pensa em mim. De vez em quando eu sei que você pensa em mim.
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
Queria em você
Tô tentando, mas não sei mais amar. Não sei mais. Tô tentando, eu juro! Você ficaria orgulhoso se visse o cara que está na minha vida. Você choraria de raiva e inveja, e doeria um pouco o peito com aquela sensação de “te perdi”.
Saio por aí, procurando amor ou qualquer coisa parecida com isso, tô naquele ponto que já tô aceitando genéricos. Porque amor de verdade ta muito caro! Exige demais da gente. Às vezes tenho certeza de que vale mais a pena um falsificado, mais barato, com menos exigências.
Encontrei o cara mais legal do mundo, mil vezes melhor do que você. Se eu colocar mais uma qualidade nele, vai transbordar. Pedi tanto em oração, mas tanto, que acabei recebendo o bendito. Ô, menino bonito... Tira o fôlego, não só meu, mas de todas as outras pessoas. Correto, inteligente, educado. Do tipo que corre pra abrir a sua porta no carro e anda de mão dada com você na rua. Absurdamente lindo. Completamente o meu oposto. O cara perfeito pra todas as mulheres. Mas sou a única que não parece merecê-lo. E sou a única que ele quer merecer.
Queria ele pra ser pai dos meus filhos. Queria sua postura, seu caráter, seu gene. Queria ouvir um milhão de elogios incansáveis, mesmo quando tô toda suada ou com o rímel borrado. Porque ele é assim. Ama em mim tudo o que eu não gosto, e faz-me amar também. Aprendi a me amar um pouquinho mais, a me colocar em primeiro lugar, tudo graças ao menino. Mas é menino, sabe? Não é homem feito. Não tô falando de idade, de maturidade, de experiência. Ele é ingênuo e puro. Puta merda, ele é tudo o que eu pedi, você sabe, você me conhece. Ele abaixa a tampa da privada, deixa o último sushi pra mim, me oferece o casaco se eu tô com frio... E tudo o que eu consigo pensar é em como você não fazia nada disso. Como você era egoísta e comia o último sushi, me deixava passar frio e largava a maldita tampa sempre levantada. Tudo o que eu consigo pensar é em como eu odiava brigar com você por isso inúmeras vezes e por muito mais. Porque nós dois não brigávamos. Eu e o cara perfeito. Não brigávamos de jeito nenhum, por nada. Eu arranjava motivo pra brigar, mas ele não comprava minhas brigas. Tinha medo de que qualquer atrito fosse nos estragar, mas acabamos descobrimos jeitos melhores de brigar. Jeitos melhores ainda de reconciliar. Agora, brigamos bastante, mas nos reconciliamos tão rápido que nem consigo lembrar dos motivos de ficar brava com ele. Bem diferente de como era com você.
Encontrei, finalmente, paz. Procurava por tudo isso. A paz, a paciência, a ingenuidade que ele carrega no olhar. Você sabe, eu sempre te disse que era isso que eu queria em você. Te cobrei essas coisas por tanto tempo, e hoje que eu tenho, elas parecem tão banais. Banais sim, porque percebi que é o mínimo que alguém pode oferecer numa relação. Às vezes o melhor pra nós não é o que queremos, e sim o que merecemos. Mas, sabe, tô tentando ainda achar defeito nele. Parece que não tem nenhum. E o cara sem defeitos simplesmente me desespera porque não ter defeitos é praticamente o pior defeito que existe. Eu não conseguia gostar nem dos seus pequenos defeitos, mas me apaixonei pelo maior defeito do mundo nele.
Você se morderia, certamente, de ciúmes se me visse com ele na rua. O cara é digno de uma nota dez. Tenho certeza de que até você, daquele jeito estranho, admitiria isso. Porque ele é. Ele é tudo. Jesus, ele é tudo e mais um pouco. A facilidade que ele tem pra me tirar do chão é incrível. E olha que não tô falando metaforicamente não, é literalmente! Ele é muito forte e seguro de si, ao mesmo tempo em que é inseguro também. Quando ele é inseguro, meu Deus, tenho vontade de abraçá-lo até não poder mais. Ele também tem uma família de ouro, tipo a minha. É todo ligado neles. E eu sou ligada nele. Até certo ponto, sabe? Ele não discute comigo nem nas músicas, gosta de tudo o que eu gosto, apesar de não gostar realmente. Mas ta sempre agradando, sempre sorrindo, sempre adorável. Eu tô sorrindo só de pensar nele. Queria que você o conhecesse, queria saber tua opinião. Se você fizesse aquela careta amarga, bem, então aí eu saberia que acertei na escolha dessa vez. Porque ninguém te deixava inseguro, mas ele com certeza faria seu ego tremer.
Minha barriga revira quando eu o encontro, minha bochecha cora quando nos falamos. Me cuido toda pra não falar palavrão na frente dele nem parecer muito idiota. Mas, amar? Amar de verdade? Dá medo. Quando eu tento chamar alguém de “amor”, travo toda. Gaguejo. Repenso. Mas tô tentando, ta? Você ficaria orgulhoso. Depois de me aconselhar a seguir em frente, você pediria pra eu voltar atrás de remorso. Mas só posso agradecer. Tudo que ele me causa, tudo que ele me faz... Nunca senti nada parecido antes. Por isso, quando penso em amor, no amor que senti por você, não consigo encaixá-lo nele. É como se ele fosse muito melhor do que aquele sentimento murcho e morno que eu sentia por você. "Amor". Talvez seja por isso que travo quando quero chamá-lo assim, porque certamente não é do mesmo jeito que te chamava. Se tivesse algo maior que isso, o chamaria assim. Agora que aprendi o que é amor de verdade, o que é se sentir amada, eu não preciso de apelidos pra ele. Mas amor, com certeza, se encaixaria nele. Pelo menos esse amor que sinto agora, cheio, quente; tão quente que chega a me queimar. Esse amor, sim - é totalmente e somente ele. Ele é amor.
Saio por aí, procurando amor ou qualquer coisa parecida com isso, tô naquele ponto que já tô aceitando genéricos. Porque amor de verdade ta muito caro! Exige demais da gente. Às vezes tenho certeza de que vale mais a pena um falsificado, mais barato, com menos exigências.
Encontrei o cara mais legal do mundo, mil vezes melhor do que você. Se eu colocar mais uma qualidade nele, vai transbordar. Pedi tanto em oração, mas tanto, que acabei recebendo o bendito. Ô, menino bonito... Tira o fôlego, não só meu, mas de todas as outras pessoas. Correto, inteligente, educado. Do tipo que corre pra abrir a sua porta no carro e anda de mão dada com você na rua. Absurdamente lindo. Completamente o meu oposto. O cara perfeito pra todas as mulheres. Mas sou a única que não parece merecê-lo. E sou a única que ele quer merecer.
Queria ele pra ser pai dos meus filhos. Queria sua postura, seu caráter, seu gene. Queria ouvir um milhão de elogios incansáveis, mesmo quando tô toda suada ou com o rímel borrado. Porque ele é assim. Ama em mim tudo o que eu não gosto, e faz-me amar também. Aprendi a me amar um pouquinho mais, a me colocar em primeiro lugar, tudo graças ao menino. Mas é menino, sabe? Não é homem feito. Não tô falando de idade, de maturidade, de experiência. Ele é ingênuo e puro. Puta merda, ele é tudo o que eu pedi, você sabe, você me conhece. Ele abaixa a tampa da privada, deixa o último sushi pra mim, me oferece o casaco se eu tô com frio... E tudo o que eu consigo pensar é em como você não fazia nada disso. Como você era egoísta e comia o último sushi, me deixava passar frio e largava a maldita tampa sempre levantada. Tudo o que eu consigo pensar é em como eu odiava brigar com você por isso inúmeras vezes e por muito mais. Porque nós dois não brigávamos. Eu e o cara perfeito. Não brigávamos de jeito nenhum, por nada. Eu arranjava motivo pra brigar, mas ele não comprava minhas brigas. Tinha medo de que qualquer atrito fosse nos estragar, mas acabamos descobrimos jeitos melhores de brigar. Jeitos melhores ainda de reconciliar. Agora, brigamos bastante, mas nos reconciliamos tão rápido que nem consigo lembrar dos motivos de ficar brava com ele. Bem diferente de como era com você.
Encontrei, finalmente, paz. Procurava por tudo isso. A paz, a paciência, a ingenuidade que ele carrega no olhar. Você sabe, eu sempre te disse que era isso que eu queria em você. Te cobrei essas coisas por tanto tempo, e hoje que eu tenho, elas parecem tão banais. Banais sim, porque percebi que é o mínimo que alguém pode oferecer numa relação. Às vezes o melhor pra nós não é o que queremos, e sim o que merecemos. Mas, sabe, tô tentando ainda achar defeito nele. Parece que não tem nenhum. E o cara sem defeitos simplesmente me desespera porque não ter defeitos é praticamente o pior defeito que existe. Eu não conseguia gostar nem dos seus pequenos defeitos, mas me apaixonei pelo maior defeito do mundo nele.
Você se morderia, certamente, de ciúmes se me visse com ele na rua. O cara é digno de uma nota dez. Tenho certeza de que até você, daquele jeito estranho, admitiria isso. Porque ele é. Ele é tudo. Jesus, ele é tudo e mais um pouco. A facilidade que ele tem pra me tirar do chão é incrível. E olha que não tô falando metaforicamente não, é literalmente! Ele é muito forte e seguro de si, ao mesmo tempo em que é inseguro também. Quando ele é inseguro, meu Deus, tenho vontade de abraçá-lo até não poder mais. Ele também tem uma família de ouro, tipo a minha. É todo ligado neles. E eu sou ligada nele. Até certo ponto, sabe? Ele não discute comigo nem nas músicas, gosta de tudo o que eu gosto, apesar de não gostar realmente. Mas ta sempre agradando, sempre sorrindo, sempre adorável. Eu tô sorrindo só de pensar nele. Queria que você o conhecesse, queria saber tua opinião. Se você fizesse aquela careta amarga, bem, então aí eu saberia que acertei na escolha dessa vez. Porque ninguém te deixava inseguro, mas ele com certeza faria seu ego tremer.
Minha barriga revira quando eu o encontro, minha bochecha cora quando nos falamos. Me cuido toda pra não falar palavrão na frente dele nem parecer muito idiota. Mas, amar? Amar de verdade? Dá medo. Quando eu tento chamar alguém de “amor”, travo toda. Gaguejo. Repenso. Mas tô tentando, ta? Você ficaria orgulhoso. Depois de me aconselhar a seguir em frente, você pediria pra eu voltar atrás de remorso. Mas só posso agradecer. Tudo que ele me causa, tudo que ele me faz... Nunca senti nada parecido antes. Por isso, quando penso em amor, no amor que senti por você, não consigo encaixá-lo nele. É como se ele fosse muito melhor do que aquele sentimento murcho e morno que eu sentia por você. "Amor". Talvez seja por isso que travo quando quero chamá-lo assim, porque certamente não é do mesmo jeito que te chamava. Se tivesse algo maior que isso, o chamaria assim. Agora que aprendi o que é amor de verdade, o que é se sentir amada, eu não preciso de apelidos pra ele. Mas amor, com certeza, se encaixaria nele. Pelo menos esse amor que sinto agora, cheio, quente; tão quente que chega a me queimar. Esse amor, sim - é totalmente e somente ele. Ele é amor.
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
Quase dois
Você foi a melhor parte de um ano desesperadamente assustador. Você foi o primeiro de, espero, não muitos, mas não foi o último. Você foi um amor indecente, verídico, impensado, corrompido. Você foi a alma de projetos e ideias e sonhos, você foi a essência de cheiros e gostos e moldes. Você, amor, foi pesadelo e depois o ombro pra reconfortar. Foi o peito que me acolheu nas noites frias e o pé que esquentou o meu. Você foi a barba mal feita que arranhou meu rosto e meu corpo nos momentos que eram nossos, e que hoje não são mais. Você... Você foi dor e foi cura, foi ferida e cicatrização. Você era a última coisa que eu via na sexta à noite e a primeira que eu enxergava quando abria os olhos sábado de manhã. Nunca quis nada além de você, porque você sempre bastou. Desse teu jeito torto e egoísta e dulcíssimo. Sempre tão honesto e desonesto e incompreensível. Você foi grande parte dos meus problemas e a maioria das minhas soluções. Foi a paciência, a compreensão, o afago, a manha. Você foi o certo e o errado, minha eterna contradição. Você foi meu melhor amigo. O melhor amigo que era namorado e marido e amante e encaixe. Você foi meses de briga, e de mais amor ainda. Meses de medo de te perder, de sorrisos sem motivo nenhum.
Você é saudade. Você é choro, calúnia, desgraça. É pesadelo e não mais reconforto. É sonho que faz questão de me visitar toda noite, é uma dor no peito sem explicação. Você, hoje, é um vento que passa e me dá frio e arrepio. Você é um estranho que me olha e não me reconhece, não me cumprimenta, não me oferece mais sorrisos. Você é mágoa e lembranças e memórias vívidas. É inúmeras fotos, sensações, calafrios. Você é um amor acabado, mas inacabado, daqueles que a gente tem que jogar tudo fora porque cada coisa lembra você, e tem que se esforçar ao máximo porque é difícil esquecer. Você é o amor que a gente se convence de que está morto, mas que soca a nossa cara quando aparece sem querer no mesmo restaurante que você, revira a barriga, te tira a fome e te faz ir embora. Você é pingo de mistura de sentimentos e memórias que fica guardado sempre compactado dentro do peito, esquecido, mas não some de jeito nenhum. Eu sou o pingo que não sumo de jeito nenhum pra você. Entendo como deve ser difícil seguir em frente vendo tudo o que eu estou fazendo, observando fotos novas minhas, reatando o relacionamento com os velhos sentimentos que só sabem incomodar. Não entendo, no entanto, a tua ignorância. A tua fuga, a tua covardia. Não entendo porque pra ser feliz não pode mais falar comigo. Se a infantilidade é tanta, só tenho a falar: você foi e você é criança.
Você foi quase dois anos de uma absurda alegria, de choros intermináveis, de discussões calorosas e recepções marcantes. Você foi a minha paz, a minha maturidade, o meu encontro comigo mesma. Foi meu piadista, meu intelectual, minha vida. Minha vontade de levantar durante a semana pra ela passar voando pra te encontrar. Você foi coisa ruim, mas muito mais coisa boa. Foi amor de madrugada, em cada canto da cidade. Foi amor a qualquer hora, por qualquer coisa. Você é a melhor das minhas lembranças, a melhor parte do meu passado, o ponto mais interessante das minhas histórias. Meu pior equívoco e meu maior acerto, meu mais valioso investimento. Você era feliz e não sabia, tinha tudo e não via. Eu era feliz e não sabia, nunca soube, até hoje não entendo direito, mas eu era a pessoa mais feliz do mundo. Você me fez a pessoa mais feliz do mundo. Você foi felicidade, cumplicidade, êxtase. Você é saudade. Você foi amor.
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sábado, 22 de setembro de 2012
Todas as manhãs
Eu procuro você na cama extremamente vazia, que o outro lado agora não está preenchido por roupas e livros e bagunça como sempre. Talvez ele esteja arrumado assim dando espaço pra alguém o ocupar, apesar de nós dois cabermos em só metade da cama, quando a outra metade era um caos. Nunca me importei em dormir na beira da cama, de lado, envolta nos seus braços. Era melhor do que ter ela inteira só pra mim, lembrando-me de que você não vem hoje à noite jogar vídeo game até sentir sono e depois dormir comigo apertadinho como se eu não tivesse aula amanhã. Sinto falta das minhas desculpas pra faltar a aula no sábado de manhã serem você, e não de faltar a semana toda sem motivo nenhum. Eu sei, eu sei. Eu tenho que focar nos estudos, tenho que me distrair, seguir em frente. Eu sei. Nunca ouvi tanto esses conselhos como nesse último mês. "Você merece alguém bem melhor", "você está bem melhor sozinha", "ele não te merece, nunca te mereceu", "vocês estavam em épocas diferentes, com cabeças diferentes, ele ainda é uma criança". Sabe, to cansada de ouvir isso. Alguém tem alguma outra desculpa? Melhor em que sentido? Mais bonito, mais inteligente, mais compreensivo? Mereço. Mas quem disse que não me bastava o pouco que ele era? Porque bastava...
Substituir amor, só com outro. Tem escapatória. Não to dizendo que não vou amar de novo, que não vou te substituir, porque eu vou, porque você não é insubstituível. To dizendo que ta difícil substituir as outras coisas. Colocar alguém no seu lugar enquanto você ainda arde vivo em todos os cantos da casa, do peito, da cidade. Construir tantas memórias e tirar mais fotos e ganhar mais presentes. Acumular tudo. Porque as memórias, as fotos, os presentes, tudo ainda ta aqui. Faço o que com eles? Eu ainda não sei. Apesar de ter passado bastante tempo, eu ainda não sei. Não te espero voltar, não te quero de novo. Mas não sei o que faço com tanta lembrança. Te jogo fora durante o dia todo, mas você volta à noite e me assombra em todos os sonhos, e eu lembro de cada um vivamente. Acordo sem a mínima noção de que era sonho, procuro você nas cobertas, no celular, na cabeça. E aí lembro que não vou te achar. Te amaldiçôo mentalmente. Choro baixinho, e não sinto vontade de levantar da cama. Todas as manhãs.
Eu só acho tão ridiculamente patético viver tanto tempo com um pessoa, construir uma fortaleza junto com ela, sonhos, esperanças, brincadeiras, confiança, e simplesmente abandoná-la. A fortaleza. Fingir que nada aconteceu, que nada existiu, que não se conhecem mais. Essa é a parte mais escarnificante do ser humano. Apesar de conhecê-la tão bem, não consigo deixar de me surpreender. As pessoas são tão insensatas quando acham que ignorando as memórias e deixando algo inacabado, vão se livrar de todo o resto. O muro, a fortaleza, ta de pé ali, ó. Pode ver. E isso, felizmente, é a única coisa que ninguém derruba, nem mesmo quem o construiu.
Substituir amor, só com outro. Tem escapatória. Não to dizendo que não vou amar de novo, que não vou te substituir, porque eu vou, porque você não é insubstituível. To dizendo que ta difícil substituir as outras coisas. Colocar alguém no seu lugar enquanto você ainda arde vivo em todos os cantos da casa, do peito, da cidade. Construir tantas memórias e tirar mais fotos e ganhar mais presentes. Acumular tudo. Porque as memórias, as fotos, os presentes, tudo ainda ta aqui. Faço o que com eles? Eu ainda não sei. Apesar de ter passado bastante tempo, eu ainda não sei. Não te espero voltar, não te quero de novo. Mas não sei o que faço com tanta lembrança. Te jogo fora durante o dia todo, mas você volta à noite e me assombra em todos os sonhos, e eu lembro de cada um vivamente. Acordo sem a mínima noção de que era sonho, procuro você nas cobertas, no celular, na cabeça. E aí lembro que não vou te achar. Te amaldiçôo mentalmente. Choro baixinho, e não sinto vontade de levantar da cama. Todas as manhãs.
Eu só acho tão ridiculamente patético viver tanto tempo com um pessoa, construir uma fortaleza junto com ela, sonhos, esperanças, brincadeiras, confiança, e simplesmente abandoná-la. A fortaleza. Fingir que nada aconteceu, que nada existiu, que não se conhecem mais. Essa é a parte mais escarnificante do ser humano. Apesar de conhecê-la tão bem, não consigo deixar de me surpreender. As pessoas são tão insensatas quando acham que ignorando as memórias e deixando algo inacabado, vão se livrar de todo o resto. O muro, a fortaleza, ta de pé ali, ó. Pode ver. E isso, felizmente, é a única coisa que ninguém derruba, nem mesmo quem o construiu.
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quarta-feira, 5 de setembro de 2012
Desconhecido
A novidade tornou-se velharia, e as pessoas têm essa mania tosca de trocar o velho pelo novo, mesmo sabendo que panela velha é que faz comida boa. Mesmo sabendo que a próxima novidade vai ser empolgante - momentaneamente -, mas que o desconhecido tem muitos pontos fracos. Intimidade, brincadeiras, apelidos, carícias, medos, vícios, compreensão, colo, choro, entendimento, facilidade, coração aberto, e amor - claro -, não se encontra no desconhecido. Quando o brilho ficar fosco, você vai deitar na cama querendo o abraço de uma pessoa só, e te garanto que não é do desconhecido. Você vai sentir falta da mão te procurando do outro lado da cama no meio da noite no escuro, te encontrando afastado e chegando perto pra envolver tuas costas com os braços. Esse tipo de calor não dá pra substituir. Você vai se encontrar sábado a noite em casa, meio sem rumo e chão, pensando no que fazer. Seu celular vai tocar e inconscientemente você vai achar que ela, mesmo sabendo que não é, e você vai dar um suspiro de alívio. Alívio por não ser ela, alívio porque você não queria que fosse ela, não queria trazer tudo à tona. Seus amigos vão te convencer a ir pra alguma festa, sem dificuldade nenhuma, e você já vai de carona com o intuito de beber muito e esquecer de tudo. Pode beijar uma, duas, ou quantas bocas quiser. Elas serão pequenas ou grandes demais para a sua, engraçadas e diferentes. Não é tão bom. A novidade faz parecer melhor do que realmente é. Você a afasta por um segundo e olha nos seus olhos, não verdes, procurando alguma coisa, que também não sabe o quê. Ela vai sorrir e o sorriso vai ser branco e bonito e não como você tava acostumado. Por um segundo bate um desânimo, mas você joga fora, ignora. Cinco da manhã você chega em casa, com aquela sensação de que ta faltando alguma coisa. Tira toda a roupa, as lentes, e deita na cama sentindo um frio absurdo que nenhuma coberta consegue cessar. Um frio que vem de dentro pra fora e esmaga o peito, e você aceita que é só a bebida te dando mal estar. Tem coisas que uma noite de festa não consegue te dar, tem faltas que desconhecidos não conseguem suprir. Um domingo vazio, de vídeo game e um almoço clichê. Sempre uma incógnita tua semana, mas também teus apoios e escapes. A vida te deu um tapa e mandou você aguentar e fingir que nada aconteceu. Você é fiel demais a isso. Leva em frente como se tivesse e quisesse aceitar a nova realidade, com lembranças afogadas no canto do cérebro. Você não vai voltar atrás porque se acha melhor do que isso. E você é. Atrás não tem mais nada, você está certo em escolher seguir em frente. Mas a opção de ir sozinho ou acompanhado é só sua.
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