terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Verão


Sexta à noite. Eu não fazia ideia de que era sexta-feira até ficarem tão assustados quando eu disse que hoje ia ficar em casa. “Mas hoje é sexta!”. Ah, sim... aquele tal dia que passamos o ano inteiro, a semana toda, choramingando para que chegue. A alegria de ser final de semana não é a mesma. Vai voltar a ser em algumas semanas, mas prefiro não pensar nisso. No momento, me concentro no fato de que nem sei que dia é hoje, estou completamente perdida no calendário. E isso, ao invés de me preocupar, me traz alívio. Eu estou de férias.
Sinto-me livre das cobranças, dos estudos, e, até sendo meio suja, dos amores também. Porque o meu verão são férias. E verão são aqueles dias pra vender a alma ao diabo e querer lembrar – ou não – pra sempre. Cada um vê de um jeito, mas podemos resumir em sol, calor, praia, água-de-coco, Coca-Cola bem gelada. Festas, pegação, bebida, loucura, amores-de-verão. Beber pra esquecer, beber pra não lembrar, beber pra curar a ressaca. Todo dia é sexta. Todo dia é festa. Pros solteiros, pros comprometidos, pros mal-amados. Sem preconceito.
Verão? É a melhor época do ano. Quando ele tá chegando, tenho orgasmos imaginários só de pensar. E quando vai embora... eu sento e espero pelo próximo. Porque ele vai chegar. Ele sempre chega. Cada vez melhor, cada vez trazendo mais paz e alívio. Ah, meu Deus, obrigada por ter inventado essa estação maravilhosa e ainda ter me dado férias nela. Eu não trocaria meu verão por nenhum amor. Porque os amores, as paixões, acabam nos deixando uma hora. Já o verão? Ele nunca me abandona. Tá sempre lá, no fim e começo do ano, de braços abertos pra me fazer sorrir. E, incrível, ele sempre consegue.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011


"O valor das coisas não está no tempo em que elas duram,
mas na intensidade com que acontecem.
Por isso existem momentos inesquecíveis,
coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis". Fernando Pessoa

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Alguém


Questionei-me, hoje, por volta das cinco da manhã, o quão (in)útil você foi na minha vida. Flagrei-me afundada no mesmo oceano de mágoas, lembranças, lágrimas, vontades e infinitos desejos no qual eu vivera um tempo atrás. Sentia, desesperadamente, sua falta. E fechava os olhos com força, o máximo que eu pudesse, tentando expulsar da minha mente a necessidade insana de ter você aqui comigo. De ceder ao seu pedido, deixando-o vir até minha casa, pisando na minha calçada, passando pelo meu portão, entrando pela porta da sala, subindo as escadas... A necessidade de chamar seu nome e sentir teu cheiro tão perto de mim. De ficar pronta, perfumada, arrumada, só para encontrar o teu sorriso ao me ver. Necessidade de acreditar nas suas palavras, e querer fazê-las se tornar realidade. Queria deixar meu corpo respirar o teu calor, deixar minha boca provar novamente de ti. Eu sentia falta. A falta que eu negava, recusava, repelia de mim. Sentia-me equivocada ao sentir saudades suas. Como se, sentir saudade de algo que me fez mal, fosse um pecado. Pecado que eu queria cometer repetidamente.
Balancei a cabeça furiosamente, como se esse movimento me livrasse de todos os pensamentos que só apertavam mais meu peito. Eu não posso mais sentir saudades. Não suas, pelo menos. Prometi, me comprometi. A vida segue. Talvez lenta e dolorosamente, mas segue, não importa quão difícil seja o caminho. Por mais que eu chore e esperneie toda noite, querendo sucumbir ao meu desejo, querendo deixar você vir me buscar aonde quer que eu esteja, isso não passa de um momento. Não me refiro ao meu sentimento, e sim a nós dois. Você virá me conquistar mais uma vez. Perderemos horas e mais horas nos emaranhados de nossos próprios problemas e carinhos e cabelos. Pode ser ótimo. Pode ser horrível. Isso pouco importa. Na verdade o que é importa é que, logo, acaba. Você me deixa em casa e não passa de mais uma noite. Que ficará gravada na minha, na sua memória. Nos meus textos, nas nossas histórias. Mas na noite seguinte, é como se nada tivesse acontecido. Nós dois, eu e você, nunca existimos. Somos duas estrelas no céu, que pode brilhar hoje, ofuscar-se amanhã, e desaparecer por uma semana. Talvez reaparecer brilhando do lado de outras estrelas. Gosto de pensar que seja assim, do que aceitar o seu pensamento. Você acha que somos a lua e o sol – podemos nos amar, mas jamais ficaremos juntos. Ah meu amor, se você soubesse a imensidão que há dentro de mim, não me deixaria assim, livre, por aí. Mas não deve fazer ideia de como sou incondicional. Pensando em você, te desejo de novo. Incontrolavelmente. Mas me dou conta de que não passará disso – desejo. Que será esgotado em minutos e reconstruído logo depois, nunca satisfeito. Mas você insiste em me abandonar. Não é nada sério, nunca é para você. Isso até eu achar alguém. Alguém que seja de verdade. Que não me veja momentaneamente, mas que pense em mim como sua mulher, sua namorada, sua esposa. Que deseje tanto quanto eu que essa sensação de estar completo não passe, que construa um passado, um presente e um futuro comigo – ou que pelo menos pretenda. Que não fuja dos compromissos e de mim.
Quem sabe eu já achei. Quem sabe não. Mas com você eu viverei assim pra sempre: na dúvida. Só sinto lhe informar, não me apetece deixar chegar tão longe. “Pra sempre” não combina com você.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Destino

Hipoteticamente falando, eu poderia ter tentado mais um pouco. Abrir mão tão ridiculamente fácil de um algo que foi “tudo” uma hora pra mim e tornou-se “nada” logo depois não foi a mais sábia decisão que já tomei. Mas foi precipitada o bastante para me deixar na dúvida do que teria acontecido se não fosse assim. Se eu não tivesse escolhido você, não tivesse magoada o bastante para procurar outro alguém. Cedo demais. Basicamente, isso resume minha nova relação. Rápido, rápido, lento, rápido. Bom, muito bom, maravilhoso, médio, brigas, muito bom, bom. Maravilhoso. Retomando minha questão, talvez hoje houvesse lágrimas, sono, mágoa, raiva, carência, sofrimento, drama, drama e mais drama. Ou quem sabe tivesse voltado ao normal e minha vida se resumiria em incertezas e indagações sem fim ou respostas. Viveria novamente naquele é-nãoé, assume-nãoassume, liga-nãoliga, gosta-nãogosta. Restringindo-me ao que ele aprova ou não.
Hoje... Bem, hoje é um pouco diferente. Muito diferente, pra ser sincera. Eu posso tomar a decisão sozinha se quiser, mas opto por não querer. Divido meu livre-arbítrio com você. Com alguém que, por mera coincidência, simples jogo do acaso, apareceu pra mim um dia depois de minha vida virar de ponta-cabeça. Destino. Gosto de chamar assim. Convence-me de que nada é por acaso.
Enquanto você convence-me de que ninguém tem traçado no seu caminho o sofrer, ah não, isso é só para aqueles que permitem que ele entre. E eu permiti por tanto tempo. Levo mais uma bronca sua por pensar no passado. “Bobagem”, você diz. Passado é pra marcar o tempo que ficou, bom ou ruim, mas ficou. Falo com você, então, do futuro. Brinco descompassadamente sobre nós dois, querendo mudar seus planos agora, planos que foram feitos para apenas daqui três anos. “Ah amor, três anos passa rápido, não vou te deixar ir embora”, falo pra você, mesmo sabendo que nós dois, eu e você, essa nossa relação relâmpago, talvez não dure mais dois meses. Quem diria três anos. Mas mesmo assim, não houve promessas de amor ou ideias para o futuro. Gosto de você apenas por viver o presente, e fazer dele, para mim, o melhor possível. Ele? O passado? O “resto”? Acabou, meu amor, acabou. Só sua agora.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Resto

Pensei em escrever sobre você. Mas não vale a pena. Na verdade, nem dá. Porque as palavras que eu usaria para falar qualquer coisa de você já estão ocupadas demais detalhando outra pessoa. Outra pessoa, outros acontecimentos, outras histórias. Tentei, então, lembrar-me de você. De alguma – qualquer – lembrança nossa. Mas não consegui. Minha cabeça já estava cheia de novas memórias e novos pensamentos, não sobrou espaço pra mais ninguém, quem diria você. Pensei em mandar uma mensagem. Mas minha caixa de mensagens já estava preenchida com outro nome, outras mensagens muito melhores do que qualquer resposta que você poderia um dia mandar pro que eu te enviasse. Cogitei a ideia, quem sabe, de sair com você. Mas se nada disso eu tinha, tempo não estaria sobrando também. Ele estava sendo muito bem usufruído com alguém, e, pensando bem, eu não me arrependia de gastar tanto tempo com esse alguém. E então, você se pergunta, eu me pergunto, eis a pergunta... Se não tenho palavras, lembranças, paciência e tempo para você, porque perdi exatamente essas quatro coisas nesse texto? Bem, porque dizem que cada um tem o que merece... Usei apenas o resto do meu tempo, o resto das lembranças, o resto da paciência e o resto de todas as minhas palavras para fazer jus ao que você é, hoje, para mim. Resto.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Here we go again... It's so insane


Encostada no balcão da cozinha eu ainda me sentia um pouco sem graça com aquilo tudo. As costas nuas dele a alguns passos de mim denunciavam músculos grandes e fortes e uma pele lisa e perfeitamente intacta. A cueca aparecia calculadamente pra fora da calça, o bastante pra deixar ele mais sexy ainda. Ele abaixou o fogo no fogão e olhou para trás, direto nos meus olhos, e perguntou se eu queria mexer um pouco a comida enquanto ele buscava alguns limões. Cheguei mais perto, sendo recebida com um doce beijo na testa, e fiquei um tempo brincando com o macarrão na água fervente, imersa nos meus próprios pensamentos. A música, de fundo, escolhida a dedo dentre tantas outras, enquadrava-se ao momento e embalava tudo o que acontecia ali. Ele havia pensado em cada detalhe, e até agora não havia errado em absolutamente nada. Eu não poderia, nem nos meus sonhos mais profundos ou nos meus textos mais fictícios, inventar uma cena tão perfeita e aconchegante quanto àquela. Sentia-me lisonjeada apenas por estar na companhia dele. Mas, aquilo tudo? Talvez fosse até mais do que eu merecia.
Ele me abraçou por trás, encostando sua cabeça em cima da minha. E ali ficamos algum tempo. Logo depois ele esticou o braço e desligou o fogão, me virando logo para ficar de frente pra ele. Num impulso, ele me levantou e colocou sentada no balcão, chegando perto e encostando seu nariz no meu. Sorriu. E então, saiu da minha frente, deixando-me a vista mais romântica até hoje. Havia aberto a varanda e, na mesa de fora, posto dois coquetéis, que ele havia feito ali na hora. Tinha dois pratos, um em cada lado da pequena mesa, acompanhados de talheres, guardanapo e com direito a um enfeite no copo. Flagrei-me sorrindo e, involuntariamente, com lágrimas nos olhos. Respirei fundo e o abracei, tentando demonstrar o quanto tudo estava sendo ótimo. Ele aproveitou o abraço para me pegar no colo e levar até a mesa, me colocando na minha cadeira e arrumando-a pra mim. Voltou até a cozinha, pegou a vasilha com comida e trouxe até os pratos, servindo-nos. Ainda estava sem camisa quando se juntou a mim na mesa. De frente ele era ainda mais bonito, o peito forte, liso, convidativo. Ele era inteiramente convidativo. E seu sorriso só completava a perfeição que pairava a minha frente. Eu tinha vontade de chegar sempre mais perto, seu cheiro pulsando forte ao meu redor. A nossa conversa não tinha fim. Palavras, assuntos, isso não nos faltava. Era tão automático, tão natural, que parecia um velho amigo de infância e não um cara que eu havia conhecido há alguns dias, algumas semanas. Seu olhar transbordava compreensão, calor, vida, paz, harmonia. A harmonia que eu estava procurando há tanto tempo.
Novamente, com um beijo na testa, ele pediu licença para tomar uma ducha, que durou alguns breve minutos. Saiu do banheiro com a toalha enrolada na cintura e outra secando o cabelo. Parou o perfeito movimento apenas para me fitar e sorrir, depois entrou no quarto e voltou vestido. Arrumado, cheiroso, divino... não, sem exagero, isso não basta. Ele merecia muito mais. Elogios não chegavam aos seus pés. Ele havia sido a pessoa mais paciente a noite toda. Havia cozinhado um jantar para nós dois. E agora estava sentado do meu lado no sofá, com os cabelos molhados, abraçado em mim e me fazendo um leve carinho na nuca, sussurrando no meu ouvido, e às vezes me olhando com um olhar infinito, explosivo, direto. Ele parecia me considerar sua futura esposa, tamanha a compaixão e química que havia ali. Eu o abracei e perguntei a mim mesma se já estava na hora, se eu já estava pronta. Para ficar vulnerável, desprotegida, entregue novamente. Se já estava na hora de me apaixonar de novo. Como se lesse meus pensamentos, ele afrouxou nosso abraço e, colocando minha cabeça entre suas mãos, me beijou delicada, calorosa e encantadoramente. Eram mil emoções misturadas em um beijo apenas. E eu percebi que talvez eu estivesse errada, talvez apaixonar-se não seja ficar desprotegida, mas achar alguém que te proteja. Eu vi isso nele. E eu desejei, de verdade, que desse certo dessa vez.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

O amor não tira férias

"Mas acontece que ele não me amava como eu esperava... Bom, o que estou tentando dizer é que eu entendo o que é se sentir a menor e a mais insignificante das criaturas do mundo e isso faz você sentir dores em lugares que nem sabia que existiam no corpo. Não importa quantos penteados novos você fizer, ou em quantas academias entrar, ou ainda quantas taças de frisante você tomar com as amigas, você ainda vai pra cama, toda noite, pensando em cada detalhe, imaginando o que fez de errado, ou como pode ter interpretado mal, e como foi que por um breve momento, você achou que podia ser tão feliz. Às vezes você consegue até se convencer de que ele, num passe de mágica, irá ate à sua porta... e depois de tudo isso, demore o tempo que tenha que demorar, você vai para um lugar novo, vai conhecer pessoas novas que fazem você se valorizar e pedacinhos da sua alma vão finalmente voltar. E aquela época turva, aquele tempo ou a vida que você desperdiçou, tudo isso começa a se dissipar." O amor não tira férias.