quinta-feira, 8 de março de 2012

Tem que perder...

O maior erro das pessoas é dar valor pra alma incorreta. É procurar, chorar, tentar explicar as 2 da manhã que só ligou pra ficar tudo bem. Pra ficar tudo bem? - é o que os errados respondem. Que bom que você ligou - é o que deveriam responder, mesmo sem entender nada. Lembra aquele dia que meu telefone tocou as três horas da manhã, desesperado? E mais desesperada era a voz que me pediu colo e compreensão, falando do pesadelo que teve. Vai ficar tudo bem - foi o que eu respondi. Não, não estava dormindo - complementei. Queria te dar conforto, e não a sensação de culpa por ter me tirado do décimo sono mesmo que eu tivesse aula no outro dia. Nunca respondi diferente disso. Muito pelo contrário. Sempre te fiz sentir em casa, até no mais estranho dos lugares. Achei que era esse o meu trabalho, o de todos. Estender a mão quando o outro precisa. Dar carinho quando a namorada liga chorando ou abraço quando te procura carente. Ela poderia estar procurando outra pessoa. Ela poderia simplesmente não te procurar. E mesmo que a única resposta que ela consiga seja a "caixa de mensagens" após seis toques no celular e sessenta no coração, ela ainda vai te procurar na próxima vez. E dai você pensa "que saco", e até opta por não atender, quem sabe por atender e ser curto e grosso. É um saco porque ela te liga. É um saco porque ela te procura. Ela é chata por ser sensível e querer que a noite termine bem. Mas vai deixar de ser um saco. Vai deixar de ser um saco e vai se tornar um vazio inexplicável quando o telefone que tocar de madrugada não for o seu. Quando outra pessoa der a ela o pouquinho de consideração que ela queria. Quando outra voz usar o mesmo tom dela pra responder, gentilmente, que vai ficar tudo bem. E todos ficaram felizes, não? Ela encontrou alguém que dá o valor que você não soube dar, ele encontrou uma mulher que vai colocar ele em primeiro lugar, e você não tem mais o "saco" pra te encher. E isso funciona tão bem na teoria. Mas saco vai ser tua vida sem ela, vai ser ensinar outro alguém a te fazer rir quando estiveres irritado. E por mais clichê que essa frase possa ser, ela nunca deixará de ser verdade: as pessoas só dão valor quando perdem. Quando outro indivíduo conquista o que era teu. E por mais que muitas vezes tenham volta, algumas simplesmente não têm. E pode ser o forte que quiser, o maduro que quiser, o grosso que quiser, mas certas coisas não têm substituição. Então não espera perder para entender que você gostava das ligações. Não espera outra pessoa entrar na tua vida e não servir no teu molde pra perceberes que ela não era tão ruim assim. Ou que ela era boa demais. E que ela faz falta. O tipo de falta que não se preenche. Quando ela te ligar, respira fundo e atende. Teu dia foi difícil, mas o dela também foi. Oferece um encontro pra ela desabafar. Ou deixa ela falar. Porque enquanto ela te liga, tem outra pessoa ligando para ela. E ela recusa as chamadas. "Quem não dá assistência, só abre concorrência". Não espere até as chamadas ignoradas serem as tuas.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Fortaleza


Tenho essa mania chata de me apegar demais às pessoas. Sofro com despedidas, choro com términos, dramatizo cada vírgula dos meus relacionamentos. Intensifico tudo, levando a sério todas as reticências e acentos e pontos finais. Entrego corpo e alma. E meu grande erro é crer que as pessoas entregam os seus também.
Nessa brincadeira de não saber brincar, eu te assusto. Falo de futuro, de passado. Fortaleço o presente. Mas minha fortaleza é tão forte que você tem medo de não conseguir mais sair. Tem medo de que os muros sejam altos demais ou impossíveis de derrubar. Seu equívoco é achar que faço isso para te prender, para nos prender. Mas ao me fortalecer ao extremo, é para não deixar ninguém entrar. É para não bombardearem minha vida com - mais - mentiras, traições, ilusões. É para não deixarem mais marcas como essas que eu já tenho e você conhece bem. E então continuo protegendo o que ainda resta da sanidade, da calmaria, da confiança. Se você quiser sair, é só pedir. Abro a porta da frente e te deixo passar.
Essa sua claustrofobia em relação ao amor me afasta. Magoa. Porque não estou te pedindo em casamento, e um longo relacionamento não significa que é para sempre. Para de ter medo disso. Foca nas partes boas, enquanto são boas. Foca em mim, enquanto estou aqui. E se for para casar, deixa ser. Serei uma boa mãe, uma boa esposa. Você um bom pai, bom marido. E se não for, a gente vai descobrir. Querer adivinhar o futuro não faz bem, melhor parar com isso. Fica protegido aqui dentro dos meus muros, deixa eu cuidar de você, proteger quem eu amo. Proteja-me também, estando do meu lado e ocupando todo esse espaço, todo esse vazio, e assim não deixando mais ninguém entrar. Porque não me interessa mais ninguém. Quando fores embora e deixar de novo o buraco aqui - mais profundo -, acabará entrando outra pessoa. Minha defesa é forte, mas não invencível. Porque eu sinto, eu amo, eu desejo. E acabo acreditando nas mentiras dos outros, esperando que algum deles possa invadir minha fortaleza, acabar com esse medo que eu também sinto e ocupar de vez o cargo que não é permanente de ninguém, mas é temporariamente seu.
Se teus anseios te impedem de ficar, então vá. Mas vá ciente de que a oportunidade é uma só. Se desistir, é para sempre. Se passar pelos muros afora, não volte. Não quero visitas, não ligo para seus arrependimentos. Procuro amor, uma pessoa inteira e não pela metade. Vá ser pela metade em outros lugares, seja inteiro aqui. O portão é serventia da casa, mas garanto que o serviço dentro dela é bem melhor do que lá fora. Mas não dá mais para ficar em cima do muro.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Estranho idealizado

Mais uma vez, o escuro do meu quarto parece doer mais os olhos do que a própria luz. Ele faz funcionar um cantinho do cérebro que fica esquecido durante o dia. O escuro me lembra melancolia. O escuro me traz melancolia. E eu, melancólica, encaro desesperada o teto que parece breu, apagado e descolorido. Minha vontade é de sair dali, de não lembrar o que eu sei que está por vir; mas braços e pernas criam desejos próprios e não movem um centímetro. Lágrimas involuntárias correm e escorrem e molham meu corpo rígido. Eu não te amo mais. Eu nunca amei. É tudo invenção dessa parte da minha mente que insiste em criar coisas. Você é uma coisa criada por ela. O que eu sinto foi criado por ela. Parte suja e indesejada. Parte de mim que insiste em aparecer nessas noites mais escuras e sombrias, aproveitando-se da carência, da solidão, do coração ferido. Igualzinho a você, exatamente como você faz. Criação imunda da minha cabeça. Você não passa disso. Um infeliz que suga a alma dos outros, a felicidade. Sugou a minha e não se deu por satisfeito ainda. Continua com suas visitas noturnas, na madrugada. Seja numa ligação ou num pensamento. Você está sempre lá. Meus olhos focam tempo demais o preto do meu quarto, a ponto de criar formas e rostos e dores. Você é dor, é vício, é ilusão. Você é nojo, repulsa e desilusão. Você dói, você machuca. É a parte mais maldosa da minha cabeça, o pedaço em carne viva que nunca se recupera. É a doença sem cura e a vida sem realmente viver. Você é meu lado ruim, meu lado perverso e nojento. Acha que tem poder, que tem domínio. Mas você não tem nada. Porque você, sem mim, não é absolutamente nada. O menino que eu conheci, era realmente apenas um menino. Depois de tanto tempo, continuava um menino. Não crescia, não mudava. A magia negra que me rondava nunca foi sua. Minha mente insana fez você assim. Fez uma imagem sua, uma esperança, uma personagem de você. E eu me apaixonei por ela. Pelo sujo nojento safado ordinário vigarista moleque pervertido assanhado cachorro extremista sem vergonha imaturo selvagem repugnante babaca e vagabundo que eu idealizei em você. Não foi por você. Porque, sabe, se eu te colocasse numa multidão de homens, perderia-te. Você se misturaria à todos os outros, por ser igual, por ser descartável e de caráter tão confundível ao de qualquer outro homem. Você, comigo, na minha cabeça, é muito. É meu sonho, meu pesadelo, minha contradição. É meu mar profundo - e escuro - onde pretendo me afogar. É vida, é morte, é uma linha tênue. Mas, sem mim? Sem mim você não é nada.

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Erros

Eu errei. Errei sim. Errei uma, duas, três vezes. Talvez mais. Erros perdoáveis, erros gravíssimos, erros que nem contam. Ninguém sabe deles. Uma ou outra pessoa talvez, as que erraram comigo. Elas sabem. Elas entendem. Algumas delas querem repetir o erro e tentam me convencer a isso. Não conseguem. Não costumo errar duas vezes. Pelo menos, não com a mesma pessoa. É inevitável. Algumas vezes foram inevitáveis. Mais forte do que eu. Outras eu nem me recordo direito. Mas são coisas que você não vai descobrir. Não por mim. Quem sabe você veja no meu olhar, talvez eu entregue tudo por ali. Se você vê, fingiu até hoje que não. Mas se espera confissões, está perdendo tempo. Porque eu errei. Mas meus erros são só meus, continuarão assim. E, meu amor, não garanto que vou parar. Porque, como eu disse, às vezes é mais forte do que eu. Me consume, me possui. Não me arrependo. Não é exatamente arrependimento. Está mais para uma dó, uma vontade de não errar mais, por não ser justo com você. Mas isso não me impediu de continuar errando. Não foram muitos equívocos, apenas alguns. Que você não perdoaria. Que você jamais entenderia. Se soubesse deles, meu amor, deixarias de ser meu amor. Acabaria aquilo que temos, apesar de ser tão lindo, tão mágico. Não quero ser um monstro para você. Não para você. Porque, sim, talvez eu seja um monstro. Mas não me julgue. Nem sequer me questione sobre o que estou falando aqui. Da minha boca não sairá uma palavra. Mas não me odeie. Não me odeie porque eu te amo, te admiro. A verdade dói, meu amor. E você não esta acostumado a isso. Fica como está. Não seja ingênuo de insistir nessa bobagem. Insista em nós. Insista sempre em nós.

sábado, 5 de novembro de 2011

Nossa batalha

Tantas vezes senti vontade de desistir. Desistir da gente, desistir do amor. Sei que esse é o verbo do perdedor, mas acho que perdi. Não a guerra, mas a batalha. A nossa batalha. Porque eu não sei se consigo continuar em pé depois de tanto confronto, não sei se consigo ser forte por nós dois. Eu tento, sempre tentei. Mas as vezes eu sinto vontade de desistir.
Tantas vezes nos perguntamos se ainda valia a pena. Ficarmos juntos, lutarmos por nós. E, por mais que tenha momentos em que quase abrimos mão de tudo, mas decidimos continuar, da certo. A gente da certo. Permitimo-nos mais uma chance, mais uma vez, pra ver se agora funciona. E sempre funciona, sempre da certo. Tornamos melhor do que já era.
Mas então vem as brigas e as oposições e o egoísmo. E eu não sei se devo continuar. Eu não sei se gosto tanto assim de você. Porque eu amava, sabe? Eu amava você. Mas não aguento seus momentos de grosseria e suas explosões repentinas. Eu preciso de paciência. Exijo paciência. E talvez você não tenha mais paciência. Não comigo, não com nós dois.
Admito, tentei desistir. Tentei esquecer da gente, esquecer você. Tentei jogar tudo pro alto. E joguei. Mas sempre voltava pra mim, como se o destino me implorasse mais uma chance. Pra nós. E eu dava. Não só porque eu te amava, mas porque te amo ainda.
E foi assim com alguns namorados, rolos, casos de amor. Eu dava mais uma chance, mesmo não querendo dar. Eu perdoava da boca pra fora enquanto o coração chorava silencioso dentro do peito. Eu não queria continuar, o destino não queria que eu continuasse. Por isso elas acabaram. As histórias. As minhas histórias com outros que não são você. Acabaram porque eles não são você.
Quando eu penso em abrir mão do nosso amor, você chora sem realmente chorar. Chora com a alma, chora com as palavras. E eu choro junto, porque sei que vale a pena. Sei que a gente vale a pena. Você também sabe, amor.
E quando a vida me pergunta porque eu ainda não desisti de nós, eu não tenho resposta. Não que não haja uma resposta, mas são respostas demais, motivos demais. A vida entende o meu sorriso. O sorriso que você criou, que você fez aparecer no meu rosto.
Depois de tantas lágrimas e tantas derrotas, de anos de escuridão, você apareceu. Eu e você criamos "nós". E, independente do quanto isso dure, já valeu a pena. Valeu a pena ter chegado ate aqui com você. Os momentos bons compensaram os ruins, nossos amores compensaram as brigas. Quando acabar, não vou ter perdido a batalha. Vou ter ganhado um amigo, um passado bom, alguém que me salvou. Vou ter ganhado um amor, lembranças boas. Vou ter ganhado você. Que valeu a pena. Valeu as lágrimas e a irritação e a carência. Vou ter ganhado você, que não valeu só a batalha, mas valeu a guerra toda.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Para alguém entender

Vem cá, senta aqui. Eu sei que a vergonha é grande, eu também tenho, mas não sei o que você faz que me seduz a te falar essas besteiras. Seduz-me a te seduzir, te manipular, jogar com teu corpo novinho. Esquece a vergonha, ignora, a tranca em algum lugar. Mas não joga a chave fora, não. Porque tem que ter vergonha, é até bom. Mas com os outros, não comigo. Vai, ignora-a. Escuta-me, me entende. Obedece, amor. Senta aqui do meu lado. Chega mais perto. Sente o cheiro do meu perfume na minha nuca, repara no brinco que eu coloquei. Chega mais perto, até seu nariz roçar na lateral da minha mandíbula, até que sua voz seja um sussurro no meu ouvido. Passa sua mão ao meu redor, num meio-abraço, com a sensação de abraço inteiro. Beija meu ombro nu, ou beija o imaginando assim. Beija meu pescoço, minha orelha. Sinta-me, deixa eu te sentir também. Deixa-me provar do veneno que me fez vir até aqui falar baixinho meus desejos. Tira essa blusa, me deixa lamber teu peito, morder tua barriga. Não, não me pede para parar. Eu sei que não posso, mas eu quero. Deixa-me querer, deixa eu me atrever. Pega-me no colo, me encosta em qualquer lugar. Muito rápido? Ou devagar...? Digo, quer que eu volte pro início? Voltamos então, meu amor. Mas olha pra mim. Encara meu olhar, não foge desse abismo. Deixa ele te consumir, te puxar, te tentar... Isso mesmo, chega mais perto e esquece a insegurança. Porque se você não sabe, eu sei por nós, sou segura por você. Temos tanto tempo, mas temos que ser rápidos. Porque eu tenho muito pra fazer, outros jogos pra jogar... Então para com essa marra, segura meu cabelo e beija minha boca, me deixa louca, tanto quanto estou enlouquecendo com essa distancia entre nós.

Ou fica aí, parado, amedrontado. Vendo-me voltar para os braços de quem eu nunca deveria ter entrado.

domingo, 11 de setembro de 2011

Aquela época

Não queria que você ligasse. Não queria mesmo. Não queria te ver, não queria te ouvir, não queria te sentir. Arrepiava só de pensar nisso. Um arrepio ruim. Pelo menos, eu queria que fosse ruim.
Lutei tanto pra conseguir isso. Esse pavor de você, te evitar. Enganei-me, o máximo que pude, acreditando que tinha finalmente conseguido isso. Mas o meu pavor era de nunca mais receber ligações suas ou de passarmos um dia um pelo outro, seja onde for, e você não me reconhecer. Não lembrar tudo – e tanto – que vivemos. Juntos. Ah, pavor. Terror. Aterrorizava minhas noites.
O telefone tocava. Não era você. Nunca era. Nunca mais foi. Mas costumava ser, sabe, naquela época.
Época que eu reclamei tanto de ti. Mas tanto, tanto. Mal sabia eu que as poucas ligações suas que eu recebia seriam o bastante hoje, até demais, quem sabe seriam tudo. Porque você costumava ser tudo. Pra mim, pra outras. Elas nem sei hoje, mas quanto a mim... Ainda suspiro, revoltada, teu nome.
Não tenho mais mensagens suas – não que eu tivesse tomado coragem de apagá-las, mas quando troquei de aparelho elas sumiram, feliz ou infelizmente, automaticamente -, não tenho mais notícias ou qualquer detalhe da tua (nova) vida sem mim. Se não mudou de perfume, ainda lembro-me dele. Do cheiro. Se tua voz não ficou ainda mais grossa, posso quase senti-la sussurrar novamente na minha nuca. Sabe, igual àquela época.
Maldita época. Tudo parecia difícil, e era difícil mesmo, mas só o comecinho disso. Deixamos a pedrinha ir rolando e virar uma enorme bola de neve. E eu, com esse tamanho todo, não consigo sair dessa bola.
Quantas vezes achei que ainda amava. Talvez ainda amasse. Talvez não. Quanta ingenuidade. Odiava-te com todo o coração, mas era só você me abraçar que ficava tudo bem. Porque eu só precisava de você.
Que clichê. Que meloso e ridículo. Eu posso ter amado. Eu amei, definitivamente. Mas foi isso. Foi, já passou. O que eu sinto hoje é vontade de sentar e conversar com você por horas e dias, sobre tudo o que aconteceu, os motivos, as intenções, os sentimentos. Conversar tanto até a ponta da língua ficar dormente e a mente confusa. Sabe? Como fazíamos... Naquela época.
Liga, aparece, me manda uma mensagem. Deixa eu te ver. Deixa-me saber como você ta. Curiosidade, sabe? Não some, como costumava fazer. Não erra, como costumava fazer. Faz diferente. Diferente de tudo daquela época. Eu entendo. Eu espero. Eu supero quando você resolver ir embora de novo. Igualzinho como eu fazia. Naquela época.