Quando soube que tinha carnaval de inverno, fiquei super animada pra ir. Ele, quando soube que era à fantasia, desistiu na hora. Eu iria no show do Maroon 5 enquanto ele iria no dos Novos Baianos. Gosto de vestir preto e ele é apaixonado numa roupa colorida; e, acreditem se quiser, sou viciada em sushi e ele não consegue ver na frente. Eu sou 100% emoção e ele 110% razão. Enquanto sou a louca que fala alto, é um livro aberto, sorri pra tudo e para pra fazer carinho em qualquer cachorro que encontra, ele é sério, fechado, irônico e adora um álcool gel pra passar nas mãos.
Acontece que esses dias peguei ele agarrado na minha cachorrinha (que é uma akita de 30 kg e de "inha" não tem nada), jogado no chão com ela. Mesmo sabendo que ela provavelmente estava suja e que solta pelo feito louca, lá estava ele. Cheio das manias, abrindo mão de algumas delas, fez meu corpo arrepiar. Eu, que adoro um moletom e sou a favor do conforto, me flagrei indo toda-arrumadinha de salto jantar no restaurante preferido dele. E gostando disso.
Eu, que sou brava e tenho a mania feia de gritar em discussões, agora penso duas vezes antes de brigar com ele. Prometi que faria jus a toda aquela calmaria e paciência que ele tem comigo. Me esforço. E ele experimentou polvo, lula e até sushi mais de uma vez por mim. Me jura de pé junto que vai aprender a gostar pra poder me acompanhar. Mas, mesmo que não goste, sempre aparece de surpresa com vários sushis pra me agradar. E eu morro de amores.
Ele se tornou também emoção e me ensinou a ser um bocado de razão - na hora certa. Passou a usar mais preto e eu a usar até estampa floral. Baixei o álbum dos Novos Baianos e do Costa Gold pra aprender a cantar as músicas que ele gosta e ele canta comigo os sertanejos mais bregas da história que eu insisto em ouvir. Nunca achei que fosse ver ele daquele jeito, sorrindo como um menino de cinco anos, toda vez que a gente canta (grita) as músicas no carro. Até fazendo dueto (sério!). Ele é provavelmente o cara mais metódico e regrado que já conheci e eu sou completamente o oposto. Não sei organizar nada, não sei chegar no horário, não consigo me programar. Tem que ser tudo na hora, do jeito que dá, da forma mais espontânea possível. E isso tinha tudo pra deixar ele louco e entender que comigo não ia dar - mas deu. Deu muito melhor do que a gente um dia pensou que podia dar. Não sentimos raiva das diferenças (só às vezes, né), mas aprendemos com elas. Cresci, amadureci e desamadureci ele um pouco também. 20 e poucos anos com uma alma velha que nunca vi igual. E agora anda até tomando uns porres comigo e tentando ser um pouco mais de mim, enquanto me transformo um pouco mais nele.
Uns dizem que o amor é feito de semelhanças, outros que são os opostos que se atraem; mas não há nada que supere um equilíbrio leve. E nele eu encontrei muito mais do que gostos iguais ou manias diferentes; encontrei reciprocidade e abertura pra ser exatamente quem eu sou, enquanto equilibramos quem a gente é. Juntos.
segunda-feira, 12 de junho de 2017
domingo, 31 de julho de 2016
Tem gente que fica
Não sei se um dia vou ser capaz de superar todo o amor que senti. O amor de uma vida inteira compactado em alguns anos. Amor de loucura, festas, brigas, encaixes, experiências. Muitas experiências. Com certeza nunca vou conseguir superar a sensação de te encontrar tantas vezes batendo de surpresa na porta da minha casa. A barriga revirando, o coração acelerado, o coquetel de sentimentos bons. Minha cara de desacreditada e a sua de felicidade costumavam formar o casal mais simpático do universo. Era muito certo.
Era tão certo que vai ser difícil deixar pra lá as lembranças que tenho no meu quarto, na casa de praia, até mesmo as que ficaram nos meus cachorros. Tudo nessa cidade lembra você, em cada canto, em cada cheiro, em cada amigo. Você ficou nos óculos que mais gosto de usar, na almofada que durmo agarrada toda noite, na calcinha rosa de renda que te arrancava o sorriso mais espontâneo que já vi. Você ficou na minha família, nas conversas, na lua cheia que costumávamos admirar.
Tive duas semanas pra fazer minhas malas. Deveria levar só o necessário. Não consegui fazer. Elas ficavam lá, abertas, esperando preenchimento, enquanto tudo que eu depositava nelas era medo. Medo do novo, do desconhecido, das experiências que, dessa vez, não seriam ao seu lado. Deu muito, muito medo.
Só as arrumei um dia antes de partir. Pensei tanto no que levar que acabei levando pouca coisa. Não queria que você se mudasse comigo, nem mesmo na almofada, nem na calcinha, muito menos naquele seu moletom cinza que já era praticamente uma extensão minha de tanto que eu usava. Não levei. Não trouxe você em nenhum sentido.
Uma semana antes de me mudar, resolvi te causar o mesmo reboliço na barriga que você me causava. Apareci na sua porta sem avisar, levando comigo só meu coração. E apesar de todas as dúvidas que eu também tinha e de todos os medos que me corroíam, eu fui lá tentar. Fui lá te oferecer, uma última vez, o amor que - a gente sabe - ninguém mais vai poder dar. E seria ótimo se só amor bastasse. Seria perfeito se as almas se alimentassem só disso. Porque então viveríamos eternamente satisfeitos. Mas o amor é combustível apenas. E todo meu combustível deixei com você, porque também não queria levar mais comigo. Então lavei minhas mãos, ergui a cabeça e aceitei a mudança. A mudança que veio em tantos sentidos diferentes que faria qualquer um se perder. Mas eu me encontrei. E me encontrei sem você.
Não te trouxe na mala, não te quis mais na cabeça e deixei todo meu amor esparramado pela tua cidade. Mas algumas coisas sempre ficam, independente de onde estivermos. A lua que brilha aqui, nesse lugar novo, é a mesma que brilha aí, da janela do teu quarto. No fundo, espero que a gente nunca perca essa mania de a admirar. Mesmo que longe e separados, mesmo deixando o outro ir embora, tem coisa que fica. Tem gente que fica. Tem lembrança que fica. Mas existem amores que se vão.
Era tão certo que vai ser difícil deixar pra lá as lembranças que tenho no meu quarto, na casa de praia, até mesmo as que ficaram nos meus cachorros. Tudo nessa cidade lembra você, em cada canto, em cada cheiro, em cada amigo. Você ficou nos óculos que mais gosto de usar, na almofada que durmo agarrada toda noite, na calcinha rosa de renda que te arrancava o sorriso mais espontâneo que já vi. Você ficou na minha família, nas conversas, na lua cheia que costumávamos admirar.
Tive duas semanas pra fazer minhas malas. Deveria levar só o necessário. Não consegui fazer. Elas ficavam lá, abertas, esperando preenchimento, enquanto tudo que eu depositava nelas era medo. Medo do novo, do desconhecido, das experiências que, dessa vez, não seriam ao seu lado. Deu muito, muito medo.
Só as arrumei um dia antes de partir. Pensei tanto no que levar que acabei levando pouca coisa. Não queria que você se mudasse comigo, nem mesmo na almofada, nem na calcinha, muito menos naquele seu moletom cinza que já era praticamente uma extensão minha de tanto que eu usava. Não levei. Não trouxe você em nenhum sentido.
Uma semana antes de me mudar, resolvi te causar o mesmo reboliço na barriga que você me causava. Apareci na sua porta sem avisar, levando comigo só meu coração. E apesar de todas as dúvidas que eu também tinha e de todos os medos que me corroíam, eu fui lá tentar. Fui lá te oferecer, uma última vez, o amor que - a gente sabe - ninguém mais vai poder dar. E seria ótimo se só amor bastasse. Seria perfeito se as almas se alimentassem só disso. Porque então viveríamos eternamente satisfeitos. Mas o amor é combustível apenas. E todo meu combustível deixei com você, porque também não queria levar mais comigo. Então lavei minhas mãos, ergui a cabeça e aceitei a mudança. A mudança que veio em tantos sentidos diferentes que faria qualquer um se perder. Mas eu me encontrei. E me encontrei sem você.
Não te trouxe na mala, não te quis mais na cabeça e deixei todo meu amor esparramado pela tua cidade. Mas algumas coisas sempre ficam, independente de onde estivermos. A lua que brilha aqui, nesse lugar novo, é a mesma que brilha aí, da janela do teu quarto. No fundo, espero que a gente nunca perca essa mania de a admirar. Mesmo que longe e separados, mesmo deixando o outro ir embora, tem coisa que fica. Tem gente que fica. Tem lembrança que fica. Mas existem amores que se vão.
segunda-feira, 5 de outubro de 2015
Nosso canto
Eu espero que você consiga encostar a cabeça no travesseiro e dormir pacificamente a noite inteira - mesmo sem receber um boa noite. Espero que você fique aliviado sem ter alguém sempre falando no celular e sem obrigação de viajar quase todo fim de semana. Eu espero, de verdade, que outros sorrisos causem o teu e que encontres um porto seguro em outras pessoas. Que a saudade não te machuque, que a falta não te corroa, que a ausência não faça diferença. Eu espero que você siga como se a gente nunca tivesse acontecido - ou que tenha sido apenas um tempo bom. E que acabou.
Eu vou sentir falta da barba mal feita roçando no meu pescoço e particularmente entre as minhas pernas. Vou sentir falta de brigar pra ver quem ficava atrás da conchinha na cama e de acordar de madrugada procurando teu corpo mesmo sonâmbula - e encontrá-lo procurando o meu também. Eu vou sentir falta de inventar mil receitas lights ou gordas, só pensando em cozinhar pra ti. Teu cheiro, mesmo sem perfume, tua voz rouca no meu ouvido, tuas mãos gigantes me cobrindo. Vou sentir falta de passar mal toda sexta feira esperando ansiosa você chegar. Nosso amor - de todas as formas que ele existiu - vai me deixar um buraco irreparável. Amor como esse a gente só encontra uma vez na vida.
Então obrigada por ter sido o meu. Obrigada por ter me mostrado que amar é lindo, puro, eterno. Que quando é recíproco, é perfeito: você me bastava. Você é o amor da minha vida. E tudo que eu desejo é que você encontre o amor da sua também. E que ele seja tão forte e grandioso quanto é o que eu sinto. Desejo que esse amor seja mútuo e tão verdadeiro que você consiga aceitar a pessoa inteiramente do jeito que ela é, sem ter que mudar nem uma vírgula. Que você ame seus defeitos, suas qualidades, sua risada de porquinho, sua cara de sono, seu rosto com maquiagem e mais ainda sem, seus pés gordinhos, sua cara de manha, seu corpo com ou sem curvas; até mesmo as coisas que você achou que jamais poderia amar. Desejo que você a ame, apesar de ter coisas que você não concorda - e que essas coisas sejam minoria e morram quando comparadas a todo o resto. Que você aceite seus ciúmes (afinal, como não ter ciúmes de você?), seus medos, seu passado e a insegurança dela com o teu passado também. Que ela seja linda - principalmente aos teus olhos - e que você a veja exatamente como eu te vejo. Porque isso que eu sinto é lindo demais pra conseguir desejar algo que não tua felicidade. Até porque sou feliz quando te vejo feliz, então estarei sempre na torcida. Que você encontre sua felicidade em outro canto, mesmo tendo feito morada aqui. Sua casinha estará sempre te esperando, pra quando você perceber que não há canto melhor do que o nosso. Quem dirá amor.
Eu vou sentir falta da barba mal feita roçando no meu pescoço e particularmente entre as minhas pernas. Vou sentir falta de brigar pra ver quem ficava atrás da conchinha na cama e de acordar de madrugada procurando teu corpo mesmo sonâmbula - e encontrá-lo procurando o meu também. Eu vou sentir falta de inventar mil receitas lights ou gordas, só pensando em cozinhar pra ti. Teu cheiro, mesmo sem perfume, tua voz rouca no meu ouvido, tuas mãos gigantes me cobrindo. Vou sentir falta de passar mal toda sexta feira esperando ansiosa você chegar. Nosso amor - de todas as formas que ele existiu - vai me deixar um buraco irreparável. Amor como esse a gente só encontra uma vez na vida.
Então obrigada por ter sido o meu. Obrigada por ter me mostrado que amar é lindo, puro, eterno. Que quando é recíproco, é perfeito: você me bastava. Você é o amor da minha vida. E tudo que eu desejo é que você encontre o amor da sua também. E que ele seja tão forte e grandioso quanto é o que eu sinto. Desejo que esse amor seja mútuo e tão verdadeiro que você consiga aceitar a pessoa inteiramente do jeito que ela é, sem ter que mudar nem uma vírgula. Que você ame seus defeitos, suas qualidades, sua risada de porquinho, sua cara de sono, seu rosto com maquiagem e mais ainda sem, seus pés gordinhos, sua cara de manha, seu corpo com ou sem curvas; até mesmo as coisas que você achou que jamais poderia amar. Desejo que você a ame, apesar de ter coisas que você não concorda - e que essas coisas sejam minoria e morram quando comparadas a todo o resto. Que você aceite seus ciúmes (afinal, como não ter ciúmes de você?), seus medos, seu passado e a insegurança dela com o teu passado também. Que ela seja linda - principalmente aos teus olhos - e que você a veja exatamente como eu te vejo. Porque isso que eu sinto é lindo demais pra conseguir desejar algo que não tua felicidade. Até porque sou feliz quando te vejo feliz, então estarei sempre na torcida. Que você encontre sua felicidade em outro canto, mesmo tendo feito morada aqui. Sua casinha estará sempre te esperando, pra quando você perceber que não há canto melhor do que o nosso. Quem dirá amor.
quarta-feira, 15 de outubro de 2014
Nada mudou
Eu só queria dizer que ele causa inspiração demais em mim. Depois desses anos, ele ainda causa. Só queria dizer que o tempo passa, mas o que não passa são as borboletas no estômago me socando de dentro para fora, implorando para que ele chegue logo e depois barganhando para que ele nunca mais se vá. Qualquer minuto que ganho a mais com ele já é vitória. E eu sempre ganho, ele sempre cede, nos atrasamos para o ônibus, mas damos sempre mais um beijo, mais um abraço, sussurramos mais um "eu te amo". E não importa quantas vezes ele diga essa frase, todas elas me elevam e me envolvem e me matam de paixão. Saber que a pessoa que você mais amou na vida te ama de uma forma mútua é simplesmente indescritível.Os olhos dele não têm uma cor definida, cada hora, cada local, em cada luz é diferente. No sol, são mais verdes do que os meus. O tempo inteiro são mais lindos do que os de qualquer outra pessoa. Ele é simplesmente espetacular.
E de ser tão simples, ele é tão tudo, tão lindo, tão mágico. Quando digo que quero três filhos, apesar de ele querer só dois, diz que faria qualquer coisa pra me fazer feliz. E ele faz. Faz mesmo. Achei que era só coisinha boba que todo homem fala pra encantar e descartar as mulheres, mas ele faz tudo pra me fazer feliz. E faz questão de explicar que a única coisa que pretende descartar é o nosso passado imundo e irrelevante, porque ele quer mesmo o meu futuro. O meu presente. E não cansa de repetir isso toda vez que eu sinto medo, insegurança ou fraquejo. Ele simplesmente não cansa de me provar isso.
E eu que sempre fui tão independente e tão displicente e tão desconfiada, entreguei meu mundinho todo de uma vez só na mão do desconhecido mais charmoso que já havia visto. Ele faz tanto jus a isso que me faz sentir as coisas mais lindas e quentes da vida. Eu o faço esquentar e queimar e explodir de tantas formas diferentes que já até perdi a conta...
Aprendi a melhorar, a improvisar, a respirar fundo nas situações difíceis. Aprendi que amar é tropeçar, fraquejar, cansar, chorar, repensar, sentir medo, meditar, sentir saudade, até sentir dor, mas nunca desistir. Amor de verdade é aquele que às vezes nos cansa, às vezes testa nossa paciência, às vezes machuca, mas nunca nos abandona. Não significa que você nunca vai pensar em terminar ou que nunca vai chorar ou que as brigas não serão feias, significa que no final nada disso vai importar.
Ele estará lá, te esperando na porta de casa, com os braços abertos e o coração escancarado, sabendo que nada mudou.
quinta-feira, 2 de outubro de 2014
Contei pra ele
Ele diz que sou perfeita mesmo sabendo de todos os meus defeitos, que não são poucos. Ele ri quando eu espirro e acha o máximo quando faço cara de birra e escondo meu rosto entre as cobertas. Ele me pega no colo como se eu pesasse o mesmo que uma pena e não cansa de dizer que, se pudesse, me carregaria a vida toda no colo, pra ficar o mais perto possível dele. Hoje, brigamos no telefone pra ver quem desligava primeiro. Nenhum dos dois queria desligar. O que sempre pareceu tão ridículo tornou-se tão bonito...
Ele segura minha mão em qualquer lugar - nas festas, na rua, no carro e até na missa. Nas pouquíssimas vezes em que fui, ele segurou minha mão. E a sua mão dá quase duas da minha e meus dedos ficam doloridos de tão espaçados, mas é a minha vez de nunca cansar: seguraria sua mão pelo resto da vida.
Demorou, mas finalmente falei. Contei pra ele que dividiria uma cama de solteiro pra sempre com ele, que estava querendo acordar com aquele sorriso do meu lado todos os dias da minha vida, que eu aceitaria ter três filhos com ele mesmo sem ele nem ter pensado nisso ainda e que casar na praia seria demais, mas que eu queria também entrar na igreja com um vestido lindo de morrer arrastando no chão. Eu contei pra ele qual o nome que queria dar pra nossa primeira filha, falei que não me importaria de brigar em todas as viagens pra ver quem vai dirigir nosso carro, acabei desabafando sobre como eu imaginava nossa casa de praia, nossa lua de mel, nossas fugidas durante o trabalho. Eu olhei pra ele e disse que tinha certeza que jamais cansaria daquela risada leve, gostosa e contagiante, contei que queria mudar de cidade pra ficar mais perto dele e que já havia feito os cálculos pra ver a probabilidade dos nossos filhos nascerem com olho claro. Mas desde que eles se parecessem com ele, tivessem sua beleza, seu caráter, sua integridade, seu sorriso, seu bom humor... Eu nem ligaria pra cor dos olhos. Eu disse pra ele que dois anos não era nada perto do que eu queria passar ao lado dele, mas falei tudo meio vomitado, pra não dar tempo de desistir no meio, pra ver se ele não entende nada e eu tenha chance de pensar duas vezes.
Ele sorriu e, mesmo sabendo dos meus defeitos, mesmo sabendo que eu erro e tropeço e falo rápido demais, disse que também imaginava tudo assim, exceto pela filha que tinha que ser igualzinha a mim.
Eu não entendo o que ele viu em mim, mas eu sei exatamente tudo que vejo nele. Ele sabe que volto atrás quando sou contrariada e que morro de ciúmes de todo mundo, e mesmo assim me quer por inteira. Ele sabe que faço manha sem motivo e fecho a cara só pra ele me mimar, e mesmo assim ele adora isso. O homem que eu jurava que não merecia, me fez pela primeira vez a mais merecida da vida. Difícil é encontrar algo nele que eu não consiga amar, enquanto antes amar era o problema. Ele é apenas solução.
Ele segura minha mão em qualquer lugar - nas festas, na rua, no carro e até na missa. Nas pouquíssimas vezes em que fui, ele segurou minha mão. E a sua mão dá quase duas da minha e meus dedos ficam doloridos de tão espaçados, mas é a minha vez de nunca cansar: seguraria sua mão pelo resto da vida.
Demorou, mas finalmente falei. Contei pra ele que dividiria uma cama de solteiro pra sempre com ele, que estava querendo acordar com aquele sorriso do meu lado todos os dias da minha vida, que eu aceitaria ter três filhos com ele mesmo sem ele nem ter pensado nisso ainda e que casar na praia seria demais, mas que eu queria também entrar na igreja com um vestido lindo de morrer arrastando no chão. Eu contei pra ele qual o nome que queria dar pra nossa primeira filha, falei que não me importaria de brigar em todas as viagens pra ver quem vai dirigir nosso carro, acabei desabafando sobre como eu imaginava nossa casa de praia, nossa lua de mel, nossas fugidas durante o trabalho. Eu olhei pra ele e disse que tinha certeza que jamais cansaria daquela risada leve, gostosa e contagiante, contei que queria mudar de cidade pra ficar mais perto dele e que já havia feito os cálculos pra ver a probabilidade dos nossos filhos nascerem com olho claro. Mas desde que eles se parecessem com ele, tivessem sua beleza, seu caráter, sua integridade, seu sorriso, seu bom humor... Eu nem ligaria pra cor dos olhos. Eu disse pra ele que dois anos não era nada perto do que eu queria passar ao lado dele, mas falei tudo meio vomitado, pra não dar tempo de desistir no meio, pra ver se ele não entende nada e eu tenha chance de pensar duas vezes.
Ele sorriu e, mesmo sabendo dos meus defeitos, mesmo sabendo que eu erro e tropeço e falo rápido demais, disse que também imaginava tudo assim, exceto pela filha que tinha que ser igualzinha a mim.
Eu não entendo o que ele viu em mim, mas eu sei exatamente tudo que vejo nele. Ele sabe que volto atrás quando sou contrariada e que morro de ciúmes de todo mundo, e mesmo assim me quer por inteira. Ele sabe que faço manha sem motivo e fecho a cara só pra ele me mimar, e mesmo assim ele adora isso. O homem que eu jurava que não merecia, me fez pela primeira vez a mais merecida da vida. Difícil é encontrar algo nele que eu não consiga amar, enquanto antes amar era o problema. Ele é apenas solução.
sábado, 24 de maio de 2014
Não foi amor à primeira vista
Quando o vi pela primeira vez, bem, faltou ar. Admito. O casaco amarrado em volta do pescoço e o cabelo irritantemente um pouco maior do que deveria e o sorriso impecável de quem só queria ser gentil. Eu passei a noite toda pensando nele e entrei em casa gritando pros meus pais: conheci o amor da minha vida!
Não foi amor à primeira vista. Certamente, não. Foram várias coisas; pensamentos e sentimentos e sensações estranhas. O tempo passava rápido e tudo ia acontecendo meio torto, meio errado, mas sempre fazendo sentido. Sempre me fazendo sentir. Mas não foi amor à segunda vista.
Quando ele me beijou pela primeira vez, mesmo eu estando relutante para tentar parecer difícil, explodiu algo dentro de mim que me fazia querer chorar e gritar e abrir os braços pra me entregar. Não era amor. Era tudo: o fato de se encaixar tão bem, de acontecer com tanta facilidade, de parecer tão certo. Eu só queria continuar ali, pra sempre; apesar disso, saí correndo.
Ele me ligou, veio atrás, me beijou pela segunda vez. No carro, em cima da mesa, no colo dele contra a parede. Eu respondi reciprocamente da forma mais intensa que consegui. Só não me entreguei porque, bem, ainda não era amor. Não foi amor nem à terceira vista.
Eu liguei pra ele, corri atrás, senti a vontade mais absurda do mundo de me entregar ao desconhecido que não despertava amor, mas despertava todas as melhores sensações que eu conseguia imaginar. Eu queria ligar pra ele todo dia, então eu ligava, sem mistério, sem jogo, sem bagunça. A bagunça vinha quando a gente se encontrava.
Ele virou, literalmente, meu mundo de cabeça pra baixo. Tudo isso sem amor. Nem à quarta vista. Nem quinta, sexta, sétima. Eu olhava pra ele e meu peito explodia cada vez. E cada vez mais. E cada vez melhor. Eu não sentia necessidade de o amar. Eu nem queria.
Esquentou, esfriei, queimou, eu fugi, eu voltei, eu me entreguei. Toda. E não era amor. Nem meu nem dele. Não era amor, mas pouco nos importava, era algo muito mais divertido e atraente e elegante. Era novo e totalmente sincero. Nossos corpos se falavam como se nossas bocas não conseguissem expressar tudo. E nem tinha o que expressar porque não era amor.
Eu errei. Eu menti, e depois voltei e chorei e implorei, sem ele nunca saber que havia mentido. Compensei meu erro, culpada, apesar de não ser amor. Apesar de não ser namoro. Apesar de não ser nada além de entretenimento e tesão e distração. Talvez paixão...
Ele me aceitou sem saber meu erro, me aceitou depois de saber do meu erro e continuou me aceitando eternamente - sem ter amor. Nem na vigésima vez foi amor. Era leve e espontâneo, um procurava o outro sem pesar as consequências, sem pensar duas vezes, sem esperar o outro ligar primeiro. Dava vontade, batia saudade, eu ligava. A gente ligava, no começo, duas ou três vezes por semana. Passou a ser todos os dias. E depois todas as horas de cada dia. Eu o procurava, e cozinhava pra ele, o mimava, ríamos até a barriga doer e depois nos entregávamos um ao outro pela terceira ou quarta vez no mesmo dia. Incansavelmente.
Mas não era amor. Pela centésima vez, não era amor.
E não ligava se ele saía todo dia, se via outras mulheres, se encontrava outros olhos por aí. Eu gostava de tê-lo sem preocupação nenhuma, sem compromisso, e era sempre tudo recíproco. Intenso. Lindo.
Um dia eu acordei do seu lado, rindo, recebendo um beijo na testa com a cabeça apoiada em seu peito. Me assustei. O enxotei. Não era amor, de jeito nenhum.
Mas ele nunca rejeitava ou deixava cair na caixa postal uma ligação minha, respondia minhas mensagens, matava minha vontade a qualquer hora do dia. Ele me ligava e deixava de ligar pra qualquer outra pessoa e ignorava seu celular quando estava comigo; aos poucos percebi que ele ignorava também quando não estava comigo, menos quando era eu ligando. Eu sorria.
E quando os outros não nos importavam mais, e a gente chegava ao êxito, e você queria dormir comigo ao invés de me levar até a porta... Bem, acho que foi aí que passou a ser amor. Não foi à primeira vista, nem à segunda, e na verdade nem foi com os olhos. A gente se amou porque se sentia, se precisava, se queria. A gente se amou porque ninguém encaixava melhor no meu molde, porque ninguém te tirava mais do sério do que eu, porque nenhum beijo na vida se encaixou na primeira vez tão bem quanto o nosso. A gente se amava porque não precisava se amar, não havia necessidade. Nos amávamos pelos simples fato de que estarmos juntos era melhor do que separados e que não precisamos de um compromisso pra isso. Diferente de tudo anteriormente, o amor aconteceu antes, no meio e depois de nós, sem sabermos quando ele chegou ao certo, tendo a certeza de que ele não vai embora. Ele aconteceu porque o amor, quando tem que acontecer, acontece. Sem pressão, sem força, sem pressa. Apenas porque precisa acontecer.
Não foi amor à primeira vista. Certamente, não. Foram várias coisas; pensamentos e sentimentos e sensações estranhas. O tempo passava rápido e tudo ia acontecendo meio torto, meio errado, mas sempre fazendo sentido. Sempre me fazendo sentir. Mas não foi amor à segunda vista.
Quando ele me beijou pela primeira vez, mesmo eu estando relutante para tentar parecer difícil, explodiu algo dentro de mim que me fazia querer chorar e gritar e abrir os braços pra me entregar. Não era amor. Era tudo: o fato de se encaixar tão bem, de acontecer com tanta facilidade, de parecer tão certo. Eu só queria continuar ali, pra sempre; apesar disso, saí correndo.
Ele me ligou, veio atrás, me beijou pela segunda vez. No carro, em cima da mesa, no colo dele contra a parede. Eu respondi reciprocamente da forma mais intensa que consegui. Só não me entreguei porque, bem, ainda não era amor. Não foi amor nem à terceira vista.
Eu liguei pra ele, corri atrás, senti a vontade mais absurda do mundo de me entregar ao desconhecido que não despertava amor, mas despertava todas as melhores sensações que eu conseguia imaginar. Eu queria ligar pra ele todo dia, então eu ligava, sem mistério, sem jogo, sem bagunça. A bagunça vinha quando a gente se encontrava.
Ele virou, literalmente, meu mundo de cabeça pra baixo. Tudo isso sem amor. Nem à quarta vista. Nem quinta, sexta, sétima. Eu olhava pra ele e meu peito explodia cada vez. E cada vez mais. E cada vez melhor. Eu não sentia necessidade de o amar. Eu nem queria.
Esquentou, esfriei, queimou, eu fugi, eu voltei, eu me entreguei. Toda. E não era amor. Nem meu nem dele. Não era amor, mas pouco nos importava, era algo muito mais divertido e atraente e elegante. Era novo e totalmente sincero. Nossos corpos se falavam como se nossas bocas não conseguissem expressar tudo. E nem tinha o que expressar porque não era amor.
Eu errei. Eu menti, e depois voltei e chorei e implorei, sem ele nunca saber que havia mentido. Compensei meu erro, culpada, apesar de não ser amor. Apesar de não ser namoro. Apesar de não ser nada além de entretenimento e tesão e distração. Talvez paixão...
Ele me aceitou sem saber meu erro, me aceitou depois de saber do meu erro e continuou me aceitando eternamente - sem ter amor. Nem na vigésima vez foi amor. Era leve e espontâneo, um procurava o outro sem pesar as consequências, sem pensar duas vezes, sem esperar o outro ligar primeiro. Dava vontade, batia saudade, eu ligava. A gente ligava, no começo, duas ou três vezes por semana. Passou a ser todos os dias. E depois todas as horas de cada dia. Eu o procurava, e cozinhava pra ele, o mimava, ríamos até a barriga doer e depois nos entregávamos um ao outro pela terceira ou quarta vez no mesmo dia. Incansavelmente.
Mas não era amor. Pela centésima vez, não era amor.
E não ligava se ele saía todo dia, se via outras mulheres, se encontrava outros olhos por aí. Eu gostava de tê-lo sem preocupação nenhuma, sem compromisso, e era sempre tudo recíproco. Intenso. Lindo.
Um dia eu acordei do seu lado, rindo, recebendo um beijo na testa com a cabeça apoiada em seu peito. Me assustei. O enxotei. Não era amor, de jeito nenhum.
Mas ele nunca rejeitava ou deixava cair na caixa postal uma ligação minha, respondia minhas mensagens, matava minha vontade a qualquer hora do dia. Ele me ligava e deixava de ligar pra qualquer outra pessoa e ignorava seu celular quando estava comigo; aos poucos percebi que ele ignorava também quando não estava comigo, menos quando era eu ligando. Eu sorria.
E quando os outros não nos importavam mais, e a gente chegava ao êxito, e você queria dormir comigo ao invés de me levar até a porta... Bem, acho que foi aí que passou a ser amor. Não foi à primeira vista, nem à segunda, e na verdade nem foi com os olhos. A gente se amou porque se sentia, se precisava, se queria. A gente se amou porque ninguém encaixava melhor no meu molde, porque ninguém te tirava mais do sério do que eu, porque nenhum beijo na vida se encaixou na primeira vez tão bem quanto o nosso. A gente se amava porque não precisava se amar, não havia necessidade. Nos amávamos pelos simples fato de que estarmos juntos era melhor do que separados e que não precisamos de um compromisso pra isso. Diferente de tudo anteriormente, o amor aconteceu antes, no meio e depois de nós, sem sabermos quando ele chegou ao certo, tendo a certeza de que ele não vai embora. Ele aconteceu porque o amor, quando tem que acontecer, acontece. Sem pressão, sem força, sem pressa. Apenas porque precisa acontecer.
domingo, 30 de março de 2014
Só com você
Você me perguntou inúmeras vezes o motivo de eu não escrever sobre você. Queria saber, insistentemente, o porquê de eu ter feito tantos textos para os outros e quase nenhum para você. Bem, aí está sua resposta. É quase uma maldição. Quando você começa a sair pela minha boca, eu começo a sair pelo seu coração. Começa a dar tudo errado.
É por isso que evitei tanto tempo te pôr nas minhas palavras escritas. Eu gosto mesmo é de escrever do que já passou, do que já deu errado. Até do que anda dando errado. E é por isso que agora você está aqui, por livre e espontânea vontade minha. Porque está tudo dando errado.
Eu queria poder voltar atrás e apagar tudo que já escrevi para você, independente de terem sido poucas coisas. Queria poder voltar atrás e desfazer todos os meus erros e todas as minhas mentiras, que talvez não tenham sido tão poucos. Esperava que o tempo e todo esse sentimento pudesse lavar e levar embora o passado, te fazendo me perdoar por não ter acreditado em você desde o primeiro minutos juntos. Eu não tinha como saber. Não tinha como te conhecer em tão pouco tempo.
Felizmente, as coisas mudaram de um tempo pra cá. De um ano pra cá. Não que não sejamos ingênuos e infantis, mas com certeza não somos mais tanto. Foi um dando pezinho para o outro que escalamos essa jordana juntos. Agora é difícil voltar lá pra baixo cada um por si.
"Difícil, mas não impossível", foi o que você me disse. E você realmente pensa dessa forma? Ou quer me atingir com todas as armas que o mundo possa proporcionar? Porque se for isso, eu te perdoo. Te perdoo e ainda te ajudo a me matar aos poucos, desde que isso te traga de volta. Não por inteiro, apenas um parte pequeninha sua. O resto eu garanto que dou um jeito, te convenço, te conquisto de novo e de novo e mais uma vez. Eu não me cansaria de você nem que tivesse que fazer isso todos os dias, pro resto da vida.
E pensando bem, não é uma má ideia. Infelizmente preciso do seu consenso pra isso. Preciso que você queira ser amado e conquistado todos os dias. Eu te provaria todo meu amor e te faria sentir no lugar mais seguro do mundo. Exatamente como você faz comigo.
Talvez assim eu não precise mais te pôr nos meus textos, te pôr pra fora, te expor pros outros. Talvez assim eu possa só te pôr pra dentro, de todas as formas. Possa te manter perto de mim.
Eu não tenho certeza do que to falando porque é a primeira vez que me sinto assim. Não sei se é burrice, falta de experiência ou cegueira causada pelo amor, mas nesse momento te prometeria qualquer coisa que você me pedisse, menos ficar longe. E só não prometo isso porque não consigo. Não dá.
Mas todo o resto, bem, eu me esforçaria. Menos ficar longe, porque além de não conseguir, eu também não quero. De jeito nenhum. Você é a luzinha que apareceu no fim do meu túnel e me mantém em movimento. Parar agora seria terrível. Não dá, sabe?
Sei que as coisas andaram meio difíceis ultimamente, mesmo antes dessa última explosão. Sei que estava tudo meio torto, meio desgrenhado, que cada um pensava em soltar o seu lado da corda, mas ninguém o fez. Não o fizemos porque seria triste demais largar a corda e ver o outro caindo do outro lado, afinal, te ver se machucar simplesmente me machuca muito mais. Eu não largaria a corda.
Se você largar a corda... Bem, daí a decisão é toda tua. Vou ficar esperando você voltar pra restaurar o balanço, o equilíbrio. Se for preciso, seguro as duas pontas por um tempo, segurando a barra pra nós dois. Te dou o tempo que for necessário.
E olha que paciência nunca foi o meu forte. Sempre preferi estourar e jogar tudo pro alto. Mas com você dá medo de jogar pro alto e não voltar. Ou jogar pro alto e voltar em muitos pedacinhos e eu não conseguir catar todos eles de novo. De ficar faltando alguma coisa. Dá medo de tudo que não nos pertence nesse momento.
A única coisa que me dava medo e agora me faz sonhar, é o futuro. Você me ensinou que o futuro é lindo se pensado da maneira correta e do lado da pessoa certa. Do amor da minha vida. E agora eu consigo pensar no futuro. Difícil mesmo é não pensar nele.
Mais difícil ainda de não pensar, é em você. Mesmo em meio a turbulências e buracos e erros e uns 800 km de distância, é literalmente impossível não pensar em você. Como a gente esquece quem mais se ama?
E se um dia te prendi, foi por medo de te deixar partir. De te ver partir. Então eu te prendia para que você ficasse embaixo da minha asa, sem chance nenhuma de partir. E olha lá agora, você partindo, mesmo eu te prometendo toda a liberdade do mundo...
Nesse momento não sei o que falar pra te fazer mudar de ideia. Talvez nenhuma palavra no universo te faça mudar de ideia. Então deixa eu acariciar teu cabelo, te fazer um cafuné, encher teu corpo de beijinhos e me enfiar embaixo dos teus braços pra fugir do frio. Deixa eu ir até aí, sofrer horas de viagem, chorar até a última gota e prometer tudo o que você já sabe. Deixa eu te provar, mais uma vez - porque eu sei quantas vezes já te provei isso - o quanto você pode confiar em mim. Não podia antes, mas agora pode. Há muito tempo. Deixa eu te provar que confiança demora, mas se restaura, se recomeça, se refaz. Demora, é difícil, mas como você mesmo disse "difícil, não impossível". Deixa eu tentar te fazer por mais um dia o homem mais feliz do mundo, com minhas comidas meio sem sal e minha massagem com as mãos pequeninhas, com meu corpo te amando insistentemente, com meu coração sangrando e explodindo por você. Por tudo isso que você o causa.
E como eu te disse: nunca senti nada assim. Coisas tão boas ou tão ruins. Meus desesperos nunca foram tão grandes; quando você não atende o celular por horas eu choro de preocupação, quando você vai mal numa prova me encho de culpa, quando você chora eu sinto vontade de morrer. Tudo que te atinge me atinge muito mais. Se eu pudesse te proteger de todo o mal do mundo, eu seria teu maior escudo, apesar de ser minúscula. Me transformaria pra e por você.
E não posso garantir que seria ou vou ser a única a fazer tudo isso. Você é digno disso e muito mais. Muitas se matariam pra estar no meu lugar e fariam o mesmo. Só que eu gosto quando você pensa que eu sou a única mulher que existe capaz de abrir mão do seu verão e viajar horas pra ficar com você por uma noite. Eu amo quando você diz que não me merece, apesar de eu não te merecer, e gargalha quando morro de ciúmes por te achar o homem mais lindo e espetacular do mundo. Amo como você valoriza tudo que eu faço, mesmo que às vezes nem eu mesma tenha percebido. Amo cada pedacinho seu, absolutamente tudo em você. Como sempre dissemos um para o outro, o que temos é único. Ninguém entende porque ninguém tem. Jogar tudo fora seria patético, até mesmo pra nós. Então nos agarramos ao amor, eu me agarro a ele, esperando que tudo permaneça assim. Esperando que eu tenha a chance - talvez outra - de te merecer.
E pronto, cá está você, em um dos meus maiores textos! Que decepção. Quem sabe você muda aquela história de que nos meus textos só está o futuro passado. Porque quero você no passado, contanto que esteja no presente e no futuro também. Quero ainda me inspirar em você pra muitas outras coisas. Quero ser tua eterna inspiração, amor. Amor.
É por isso que evitei tanto tempo te pôr nas minhas palavras escritas. Eu gosto mesmo é de escrever do que já passou, do que já deu errado. Até do que anda dando errado. E é por isso que agora você está aqui, por livre e espontânea vontade minha. Porque está tudo dando errado.
Eu queria poder voltar atrás e apagar tudo que já escrevi para você, independente de terem sido poucas coisas. Queria poder voltar atrás e desfazer todos os meus erros e todas as minhas mentiras, que talvez não tenham sido tão poucos. Esperava que o tempo e todo esse sentimento pudesse lavar e levar embora o passado, te fazendo me perdoar por não ter acreditado em você desde o primeiro minutos juntos. Eu não tinha como saber. Não tinha como te conhecer em tão pouco tempo.
Felizmente, as coisas mudaram de um tempo pra cá. De um ano pra cá. Não que não sejamos ingênuos e infantis, mas com certeza não somos mais tanto. Foi um dando pezinho para o outro que escalamos essa jordana juntos. Agora é difícil voltar lá pra baixo cada um por si.
"Difícil, mas não impossível", foi o que você me disse. E você realmente pensa dessa forma? Ou quer me atingir com todas as armas que o mundo possa proporcionar? Porque se for isso, eu te perdoo. Te perdoo e ainda te ajudo a me matar aos poucos, desde que isso te traga de volta. Não por inteiro, apenas um parte pequeninha sua. O resto eu garanto que dou um jeito, te convenço, te conquisto de novo e de novo e mais uma vez. Eu não me cansaria de você nem que tivesse que fazer isso todos os dias, pro resto da vida.
E pensando bem, não é uma má ideia. Infelizmente preciso do seu consenso pra isso. Preciso que você queira ser amado e conquistado todos os dias. Eu te provaria todo meu amor e te faria sentir no lugar mais seguro do mundo. Exatamente como você faz comigo.
Talvez assim eu não precise mais te pôr nos meus textos, te pôr pra fora, te expor pros outros. Talvez assim eu possa só te pôr pra dentro, de todas as formas. Possa te manter perto de mim.
Eu não tenho certeza do que to falando porque é a primeira vez que me sinto assim. Não sei se é burrice, falta de experiência ou cegueira causada pelo amor, mas nesse momento te prometeria qualquer coisa que você me pedisse, menos ficar longe. E só não prometo isso porque não consigo. Não dá.
Mas todo o resto, bem, eu me esforçaria. Menos ficar longe, porque além de não conseguir, eu também não quero. De jeito nenhum. Você é a luzinha que apareceu no fim do meu túnel e me mantém em movimento. Parar agora seria terrível. Não dá, sabe?
Sei que as coisas andaram meio difíceis ultimamente, mesmo antes dessa última explosão. Sei que estava tudo meio torto, meio desgrenhado, que cada um pensava em soltar o seu lado da corda, mas ninguém o fez. Não o fizemos porque seria triste demais largar a corda e ver o outro caindo do outro lado, afinal, te ver se machucar simplesmente me machuca muito mais. Eu não largaria a corda.
Se você largar a corda... Bem, daí a decisão é toda tua. Vou ficar esperando você voltar pra restaurar o balanço, o equilíbrio. Se for preciso, seguro as duas pontas por um tempo, segurando a barra pra nós dois. Te dou o tempo que for necessário.
E olha que paciência nunca foi o meu forte. Sempre preferi estourar e jogar tudo pro alto. Mas com você dá medo de jogar pro alto e não voltar. Ou jogar pro alto e voltar em muitos pedacinhos e eu não conseguir catar todos eles de novo. De ficar faltando alguma coisa. Dá medo de tudo que não nos pertence nesse momento.
A única coisa que me dava medo e agora me faz sonhar, é o futuro. Você me ensinou que o futuro é lindo se pensado da maneira correta e do lado da pessoa certa. Do amor da minha vida. E agora eu consigo pensar no futuro. Difícil mesmo é não pensar nele.
Mais difícil ainda de não pensar, é em você. Mesmo em meio a turbulências e buracos e erros e uns 800 km de distância, é literalmente impossível não pensar em você. Como a gente esquece quem mais se ama?
E se um dia te prendi, foi por medo de te deixar partir. De te ver partir. Então eu te prendia para que você ficasse embaixo da minha asa, sem chance nenhuma de partir. E olha lá agora, você partindo, mesmo eu te prometendo toda a liberdade do mundo...
Nesse momento não sei o que falar pra te fazer mudar de ideia. Talvez nenhuma palavra no universo te faça mudar de ideia. Então deixa eu acariciar teu cabelo, te fazer um cafuné, encher teu corpo de beijinhos e me enfiar embaixo dos teus braços pra fugir do frio. Deixa eu ir até aí, sofrer horas de viagem, chorar até a última gota e prometer tudo o que você já sabe. Deixa eu te provar, mais uma vez - porque eu sei quantas vezes já te provei isso - o quanto você pode confiar em mim. Não podia antes, mas agora pode. Há muito tempo. Deixa eu te provar que confiança demora, mas se restaura, se recomeça, se refaz. Demora, é difícil, mas como você mesmo disse "difícil, não impossível". Deixa eu tentar te fazer por mais um dia o homem mais feliz do mundo, com minhas comidas meio sem sal e minha massagem com as mãos pequeninhas, com meu corpo te amando insistentemente, com meu coração sangrando e explodindo por você. Por tudo isso que você o causa.
E como eu te disse: nunca senti nada assim. Coisas tão boas ou tão ruins. Meus desesperos nunca foram tão grandes; quando você não atende o celular por horas eu choro de preocupação, quando você vai mal numa prova me encho de culpa, quando você chora eu sinto vontade de morrer. Tudo que te atinge me atinge muito mais. Se eu pudesse te proteger de todo o mal do mundo, eu seria teu maior escudo, apesar de ser minúscula. Me transformaria pra e por você.
E não posso garantir que seria ou vou ser a única a fazer tudo isso. Você é digno disso e muito mais. Muitas se matariam pra estar no meu lugar e fariam o mesmo. Só que eu gosto quando você pensa que eu sou a única mulher que existe capaz de abrir mão do seu verão e viajar horas pra ficar com você por uma noite. Eu amo quando você diz que não me merece, apesar de eu não te merecer, e gargalha quando morro de ciúmes por te achar o homem mais lindo e espetacular do mundo. Amo como você valoriza tudo que eu faço, mesmo que às vezes nem eu mesma tenha percebido. Amo cada pedacinho seu, absolutamente tudo em você. Como sempre dissemos um para o outro, o que temos é único. Ninguém entende porque ninguém tem. Jogar tudo fora seria patético, até mesmo pra nós. Então nos agarramos ao amor, eu me agarro a ele, esperando que tudo permaneça assim. Esperando que eu tenha a chance - talvez outra - de te merecer.
E pronto, cá está você, em um dos meus maiores textos! Que decepção. Quem sabe você muda aquela história de que nos meus textos só está o futuro passado. Porque quero você no passado, contanto que esteja no presente e no futuro também. Quero ainda me inspirar em você pra muitas outras coisas. Quero ser tua eterna inspiração, amor. Amor.
sexta-feira, 7 de março de 2014
Teria te encontrado
Eu teria te encontrado. Eu teria te conhecido de qualquer forma. Se não fosse naquela cidade lotada, seria na tua mais pacata. Se não fosse naquele táxi barato, teria sido na esquina. No banco. Na praça. Teria sido tirando dúvida com algum professor ou sentando do lado na sala de estudos. Você poderia ter conhecido mais cem meninas naquele teatro, eu poderia também, mas ele só aconteceu pra nos encontrarmos. Cada erro tornou-se um acerto, mas tão certo, que se tivesse dado certo na hora não teríamos dado certo também.
Se eu não tivesse te encontrado naquele teatro, seria no shopping. Seria no cinema, no escurinho do cinema, mesmo assim. Eu teria te encontrado numa festa muito bêbada ou muito sóbria no mesmo local de vestibular. Você teria me notado naquele mesmo dia em qualquer outro lugar, mesmo sem termos nos notado o ano todo vivendo tão perto um do outro. Nós sorriríamos tímidos, apesar da sensação de nos conhecermos uma vida toda. Afinal, seria só mais uma vida que estaríamos nos encontrando...
Eu teria que passar por todas as minhas decepções, pelas relações mal sucedidas, pelos clássicos cafajestes e términos desesperados. Eu teria que conhecer o mundo todo, achando que conhecia o mundo todo e todo mundo. Eu teria que sentir um pouco de tudo, achando que já sabia o gosto de todas as sensações. Teria que achar tudo isso pra que você pudesse chegar de mansinho e me abraçar no meio dos meus gritos, até então desamparados. Pra que eu pudesse descobrir que todas as coisas ruins valeram a pena, porque aquele abraço me completava. Me cobria, eu desaparecia, mas me encaixava. Eu chorei de medo de você. De todas as pontadas de coisas novas que você me trazia e me mostrava e me regava. Eu, que pensava conhecer um pouco de tudo, muito de todos, não sabia de nada. Você trouxe o carinho, o amor, o afago, o afeto, o ânimo, o apego, a atração, a bondade, a inspiração e tudo que eu consigo imaginar. Eu li que os seres humanos tem 356 sentimentos e aquilo não fez sentido nenhum pra mim. Só 356? E todos aqueles outros milhões que você me causa?
É por isso que eu sei que mesmo embaixo da chuva, naqueles dias onde a cidade está alagada e ninguém sai de casa, eu teria te encontrado. Eu teria te conhecido na praia, num barzinho, mesmo se nós dois fôssemos comprometidos. Estava escrito. Eu teria te encontrado... Porque o que foi feito pra acontecer, quem foi destinado a ficar junto, nada nem ninguém separa. Nem todos os 356 sentimentos.
Se eu não tivesse te encontrado naquele teatro, seria no shopping. Seria no cinema, no escurinho do cinema, mesmo assim. Eu teria te encontrado numa festa muito bêbada ou muito sóbria no mesmo local de vestibular. Você teria me notado naquele mesmo dia em qualquer outro lugar, mesmo sem termos nos notado o ano todo vivendo tão perto um do outro. Nós sorriríamos tímidos, apesar da sensação de nos conhecermos uma vida toda. Afinal, seria só mais uma vida que estaríamos nos encontrando...
Eu teria que passar por todas as minhas decepções, pelas relações mal sucedidas, pelos clássicos cafajestes e términos desesperados. Eu teria que conhecer o mundo todo, achando que conhecia o mundo todo e todo mundo. Eu teria que sentir um pouco de tudo, achando que já sabia o gosto de todas as sensações. Teria que achar tudo isso pra que você pudesse chegar de mansinho e me abraçar no meio dos meus gritos, até então desamparados. Pra que eu pudesse descobrir que todas as coisas ruins valeram a pena, porque aquele abraço me completava. Me cobria, eu desaparecia, mas me encaixava. Eu chorei de medo de você. De todas as pontadas de coisas novas que você me trazia e me mostrava e me regava. Eu, que pensava conhecer um pouco de tudo, muito de todos, não sabia de nada. Você trouxe o carinho, o amor, o afago, o afeto, o ânimo, o apego, a atração, a bondade, a inspiração e tudo que eu consigo imaginar. Eu li que os seres humanos tem 356 sentimentos e aquilo não fez sentido nenhum pra mim. Só 356? E todos aqueles outros milhões que você me causa?
É por isso que eu sei que mesmo embaixo da chuva, naqueles dias onde a cidade está alagada e ninguém sai de casa, eu teria te encontrado. Eu teria te conhecido na praia, num barzinho, mesmo se nós dois fôssemos comprometidos. Estava escrito. Eu teria te encontrado... Porque o que foi feito pra acontecer, quem foi destinado a ficar junto, nada nem ninguém separa. Nem todos os 356 sentimentos.
terça-feira, 9 de julho de 2013
Desequilíbrio
Você me olha com aquela cara de safado, cachorro, sem vergonha, apesar de ser assim só dentro de casa. Analisa-me da cabeça aos pés, e, diferente da maioria das pessoas que faz isso, sente amor, orgulho e desejo ao fazê-lo. Não cansa de repetir o quão linda eu sou assim, deitada na tua cama, entregue de corpo e alma. Você me faz sorrir e chorar e gemer e gritar e amar, tudo ao mesmo tempo. Eu só tenho tempo de pedir que essa sensação nunca termine.
Levanto, visto teu moletom e um par de meias que deixei na tua casa, junto com tantas outras coisas que foram vindo aos poucos e agora já moram com você. Passo tanto tempo nessa casa que já é nossa casa, já é minha casa, já não encontro motivos pra sair. Minhas meias aquecem, não tanto quanto teu corpo, mas bastam pra me deixar fazer nosso almoço. Sou um desastre na cozinha, no entanto procurei mil e uma receitas diferentes pra tentar te agradar, porque é isso que você faz comigo. Você desperta em mim a melhor parte que existe, faz com que eu queira ser melhor do que já sou todos os dias, dá a sensação de que o despertador tocar nem é tão ruim assim porque, depois do despertador e das aulas e do almoço e das provas, vem você, a melhor parte do meu dia. Agora, insistentemente, procuro ver um lado bom em tudo o que acontece. Você me incentiva a ser assim apenas por ser também. E eu me torno uma pessoa melhor por estar com a melhor pessoa que tem.
Acordo manhosa, descabelada e sonolenta, e tudo o que você consegue cochichar é que sou muito mais bonita assim, sem maquiagem, sem preocupações, sem nada. Segura minha cabeça, me beija e deixa o mundo de lado e o arrepio subir pela minha espinha. Acho que nem tem ideia do quanto fica estonteante com essa cara de sono, sem camisa e os pêlos recém nascidos no peito. Encosto minha cabeça nele e não preciso de mais nada. Com teus braços me envolvendo, nada pode me atingir, me abalar, me desequilibrar. Não que sejamos equilíbrio, apesar de nos completarmos num balanço perfeito. São os altos e baixos que nos jogam pra frente, nos impulsionam num salto que parece não ter fim. E, pela primeira vez na vida, não quero que tenha fim. Não quero abrir mão, não quero esperar o ponto final, ou colocar reticências. Pontuações não bastam quando o assunto é você. Pra nos escrever, quero que sejamos um texto, um livro, qualquer coisa que não tenha pontos, apenas continuação. Tonta, sento-me na beira da cadeira e tento absorver tanta novidade, todas as sensações novas, que fazem de mim outra pessoa sem me mudar nem um milímetro. É isso que gosto em você: sou eu mesma, mesmo quando sou toda nova, toda modificada, toda aos pedaços. Sou inteira. E eu sou feliz. Sou feliz quando sou eu mesma e só sou eu mesma com você...
domingo, 14 de abril de 2013
De verdade
Foi você quem mudou o conceito de que todo homem é substituível. Você me fez pensar duas vezes, três, às vezes quinze, sempre antes de fazer qualquer coisa. Você me fez pensar em casamento, filhos, casa de praia e futuro, coisas que não costumavam passar pela minha cabeça. Encho a boca pra te chamar de amor, pois foi você quem me ensinou a amar, em todos os sentidos da palavra. Te amar me faz nova, completa, feliz; quase esquecer do passado. Quase - pois é bom ter uma comparação, só pra ter certeza de que você é o único assim, a ponto de ninguém conseguir ser comparado com você. "Só se sabe o que é bom quando conhece o ruim...". Não sei se eu te escolhi, você me escolheu, ou se a escolha foi mútua e consciente, mas sei que foi a melhor escolha que já fiz na vida. Esperaria dezoito anos se eu soubesse que você apareceria e viraria minha vida de cabeça pra baixo, colocando-a finalmente no seu lugar certo. Porque meu lugar certo, amor, é do seu lado. É dentro desses braços enormes e fortes que me aconchegam no frio, no calor e no amor. Meu lugar é deitada na tua cama, com a casa vazia e as mentes cheias. E é quando a gente fica à sós, quietos, sorridentes, que eu me sinto finalmente inteira. Como se não precisasse de nada além de você. Apesar de motivos tristes me levarem a escrever sobre você, posso apenas falar coisas boas. Não existe solidão, sofrimento ou carência do teu lado. Você supre todas as minhas necessidades, vontades, desejos - mudou aquela história particular de que de mim só saia histórias ruins. Mudou a ideia de que eu tinha dedo podre. Você mudou meu conceito de amor, felicidade, cumplicidade, fidelidade. Mexeu com meu gênio forte, em lugares desconhecidos até por mim, me fazendo acreditar que amor é o oposto de dor, amar é o contrário de sofrer. Não acredito mais que o amor machuca, fere, mente, pisa. Agora sei que o amor de verdade acolhe, vibra, apoia, adora. O amor verdadeiro é amor uma vez e não deixa de ser mais. Se deixa de ser, não era amor. E você, definitivamente, é meu amor...
quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
Insaciável
Cinco e meia da manhã e eu não quero sono, cama, vodca ou um copo d'água. Eu quero amor. Cinco e meia da manhã e tudo o que eu quero é um pouco de amor. Errado querer tanto isso? Quero te ligar pra você me buscar agora em casa só pra eu dormir duas horinhas com você enquanto o despertador não toca. Quero, sim, ficar de conchinha e deixar meu cabelo no seu rosto te irritando. Quero receber amor, quero dar amor. Quero sentir mais uma vez, por mais que seja a última das primeiras ou a primeira das últimas vezes, o que é ser amada. Quero olhar pro lado e flagrar você perdido em pensamentos me encarando, sorrindo, enquanto eu coro e me sinto a mulher mais linda do mundo. Não é isso que o amor faz? Pois é exatamente isso que eu quero. Quero você acordado no meio da noite buscando dois copos de água. Quero provocar tua sede, tua insônia, tua preocupação de me cobrir à noite, teus pesadelos e teu abraço depois do susto. Não pretendo ser a mulher que anda do teu lado pra bonito, e sim a que te espera chegar em casa com a janta pronta, mesmo que seja duas da manhã e a única fome que você sinta seja de amor. Eu te daria amor, saciaria tua fome, te colocaria pra dormir. Porque o amor é isso. É um pouco de tudo e um tudo de nada. É a vontade de chegar mais perto mesmo quando o único espaço nos separando é o braço da cadeira do cinema. Quero aplaudir tuas vitórias de pé e ser aquela que te olha com orgulho e te causa orgulho por eu me sentir assim. Quero te causar orgulho também, mesmo toda descabelada numa quinta à noite, com apenas uma calcinha grande de oncinha e uma leve marca de biquíni tapando meu corpo. Quero você no meu sofá na madrugada de domingo pra segunda passando os canais da televisão e esperando o resto da casa dormir para fugirmos. Quero fugir com você. Agora, na terça, no sábado. Quero ser tua por dois minutos, mas te ter por uma eternidade. Uma eternidade de insônias, amores incansáveis e recomeços.
sábado, 24 de novembro de 2012
Sem querer
Sei que você pensa em mim. Sei que, apesar de o dia ter sido cheio, apesar das provas da faculdade e a pressão do trabalho, você chega em casa exausto e pensa em mim. Sei que, por mais que você não tenha tempo pra nada, consegue arranjar dois minutos no computador pra saber alguma notícia minha. Sei como é porque faço a mesma coisa. Meu celular não fica quieto, passo o dia inteiro ocupada, não tenho tempo pra sentir saudade. Outras pessoas, com outras vozes e cabelos e cheiros, fazem o favor de me manter sempre distraída. Mas uma hora todo mundo dorme. Todo mundo, menos eu. Uma hora eu deito no travesseiro e a cidade inteira está adormecida. Menos eu. Menos você. Você relaxa o corpo na cama pela primeira vez no dia e é tão bom que chega a doer. A mente quase vazia é "quase" pois desloca de algum lugar obscuro a minha imagem. E você se pergunta o que eu estou fazendo, ou com o que estou sonhando, enquanto eu estou pensando o mesmo de você. Dá saudade. Uma saudade quase saudável. Uma saudade gostosa que aquece o peito e delicia a alma. Faz tanto tempo que não te vejo que às vezes é difícil visualizar teu rosto, como se ele fosse se apagando aos poucos da memória, mas teu sorriso torto está marcado fortemente... Teu cabelo liso, teus olhos escuros e penetrantes. Você está todo marcado por aqui. E eu penso, penso sem querer, quase involuntariamente. E sei que você pensa em mim também. Sem querer ou por querer. Estou sentindo tua falta, hoje mais do que esses dias que tem se passado. Já não sei se faço falta também, mas sei que você pensa nisso. Essa é a única certeza que eu tenho. Porque o resto é dúvida e elas não me importam realmente. Tenho escrito bastante, mas não termino nenhum dos meus textos. Ficam todos sem final, transparecendo o quão incompleta eu estou. Nunca tinha acumulado tantas palavras soltas e sem finalidade, nunca até você. Até essa maré de pensamentos noturnos e duvidosos me encher toda noite, deixando saudade. Uma saudade que não pede volta, perdão, palavras. Ela pede mais um braço apertado de um corpo que costumava ser um só comigo. Pede compreensão por não saber ir embora e de vez em quando ligar pra você. Sinto-me culpada por ainda sentir um frio na barriga quando te vejo ou por chorar por saber que você estava com outra pessoa. É triste ver um amor tão bonito ser entregue a um outro alguém. Um amor que era meu, dividia espaço com o meu e se entregava só pra mim. Sei que, apesar de toda a negação, nenhum sentimento que foi tão forte morre assim do nada. Virão muitas pessoas e muitos sentimentos e muitas estações. Os invernos serão piores do que os verões. Seu pé gelado vai procurar involuntariamente o meu embaixo das cobertas. Sem sucesso. Coloque outro pé pra te esquentar, outra voz no teu ouvido pra te acordar, outro corpo pra ir jantar com você. Não me importo porque sei que nenhum vai me substituir, de um jeitinho ou de outro. Continuo marcada aí. Orgulho-me de ter te deixado tão mal acostumado. Assim, toda vez que alguém não entender tuas brincadeiras ou não insistir pra rachar a conta com você, eu estarei na sua cabeça. Porque você pensa em mim. De vez em quando eu sei que você pensa em mim.
segunda-feira, 5 de novembro de 2012
Queria em você
Tô tentando, mas não sei mais amar. Não sei mais. Tô tentando, eu juro! Você ficaria orgulhoso se visse o cara que está na minha vida. Você choraria de raiva e inveja, e doeria um pouco o peito com aquela sensação de “te perdi”.
Saio por aí, procurando amor ou qualquer coisa parecida com isso, tô naquele ponto que já tô aceitando genéricos. Porque amor de verdade ta muito caro! Exige demais da gente. Às vezes tenho certeza de que vale mais a pena um falsificado, mais barato, com menos exigências.
Encontrei o cara mais legal do mundo, mil vezes melhor do que você. Se eu colocar mais uma qualidade nele, vai transbordar. Pedi tanto em oração, mas tanto, que acabei recebendo o bendito. Ô, menino bonito... Tira o fôlego, não só meu, mas de todas as outras pessoas. Correto, inteligente, educado. Do tipo que corre pra abrir a sua porta no carro e anda de mão dada com você na rua. Absurdamente lindo. Completamente o meu oposto. O cara perfeito pra todas as mulheres. Mas sou a única que não parece merecê-lo. E sou a única que ele quer merecer.
Queria ele pra ser pai dos meus filhos. Queria sua postura, seu caráter, seu gene. Queria ouvir um milhão de elogios incansáveis, mesmo quando tô toda suada ou com o rímel borrado. Porque ele é assim. Ama em mim tudo o que eu não gosto, e faz-me amar também. Aprendi a me amar um pouquinho mais, a me colocar em primeiro lugar, tudo graças ao menino. Mas é menino, sabe? Não é homem feito. Não tô falando de idade, de maturidade, de experiência. Ele é ingênuo e puro. Puta merda, ele é tudo o que eu pedi, você sabe, você me conhece. Ele abaixa a tampa da privada, deixa o último sushi pra mim, me oferece o casaco se eu tô com frio... E tudo o que eu consigo pensar é em como você não fazia nada disso. Como você era egoísta e comia o último sushi, me deixava passar frio e largava a maldita tampa sempre levantada. Tudo o que eu consigo pensar é em como eu odiava brigar com você por isso inúmeras vezes e por muito mais. Porque nós dois não brigávamos. Eu e o cara perfeito. Não brigávamos de jeito nenhum, por nada. Eu arranjava motivo pra brigar, mas ele não comprava minhas brigas. Tinha medo de que qualquer atrito fosse nos estragar, mas acabamos descobrimos jeitos melhores de brigar. Jeitos melhores ainda de reconciliar. Agora, brigamos bastante, mas nos reconciliamos tão rápido que nem consigo lembrar dos motivos de ficar brava com ele. Bem diferente de como era com você.
Encontrei, finalmente, paz. Procurava por tudo isso. A paz, a paciência, a ingenuidade que ele carrega no olhar. Você sabe, eu sempre te disse que era isso que eu queria em você. Te cobrei essas coisas por tanto tempo, e hoje que eu tenho, elas parecem tão banais. Banais sim, porque percebi que é o mínimo que alguém pode oferecer numa relação. Às vezes o melhor pra nós não é o que queremos, e sim o que merecemos. Mas, sabe, tô tentando ainda achar defeito nele. Parece que não tem nenhum. E o cara sem defeitos simplesmente me desespera porque não ter defeitos é praticamente o pior defeito que existe. Eu não conseguia gostar nem dos seus pequenos defeitos, mas me apaixonei pelo maior defeito do mundo nele.
Você se morderia, certamente, de ciúmes se me visse com ele na rua. O cara é digno de uma nota dez. Tenho certeza de que até você, daquele jeito estranho, admitiria isso. Porque ele é. Ele é tudo. Jesus, ele é tudo e mais um pouco. A facilidade que ele tem pra me tirar do chão é incrível. E olha que não tô falando metaforicamente não, é literalmente! Ele é muito forte e seguro de si, ao mesmo tempo em que é inseguro também. Quando ele é inseguro, meu Deus, tenho vontade de abraçá-lo até não poder mais. Ele também tem uma família de ouro, tipo a minha. É todo ligado neles. E eu sou ligada nele. Até certo ponto, sabe? Ele não discute comigo nem nas músicas, gosta de tudo o que eu gosto, apesar de não gostar realmente. Mas ta sempre agradando, sempre sorrindo, sempre adorável. Eu tô sorrindo só de pensar nele. Queria que você o conhecesse, queria saber tua opinião. Se você fizesse aquela careta amarga, bem, então aí eu saberia que acertei na escolha dessa vez. Porque ninguém te deixava inseguro, mas ele com certeza faria seu ego tremer.
Minha barriga revira quando eu o encontro, minha bochecha cora quando nos falamos. Me cuido toda pra não falar palavrão na frente dele nem parecer muito idiota. Mas, amar? Amar de verdade? Dá medo. Quando eu tento chamar alguém de “amor”, travo toda. Gaguejo. Repenso. Mas tô tentando, ta? Você ficaria orgulhoso. Depois de me aconselhar a seguir em frente, você pediria pra eu voltar atrás de remorso. Mas só posso agradecer. Tudo que ele me causa, tudo que ele me faz... Nunca senti nada parecido antes. Por isso, quando penso em amor, no amor que senti por você, não consigo encaixá-lo nele. É como se ele fosse muito melhor do que aquele sentimento murcho e morno que eu sentia por você. "Amor". Talvez seja por isso que travo quando quero chamá-lo assim, porque certamente não é do mesmo jeito que te chamava. Se tivesse algo maior que isso, o chamaria assim. Agora que aprendi o que é amor de verdade, o que é se sentir amada, eu não preciso de apelidos pra ele. Mas amor, com certeza, se encaixaria nele. Pelo menos esse amor que sinto agora, cheio, quente; tão quente que chega a me queimar. Esse amor, sim - é totalmente e somente ele. Ele é amor.
Saio por aí, procurando amor ou qualquer coisa parecida com isso, tô naquele ponto que já tô aceitando genéricos. Porque amor de verdade ta muito caro! Exige demais da gente. Às vezes tenho certeza de que vale mais a pena um falsificado, mais barato, com menos exigências.
Encontrei o cara mais legal do mundo, mil vezes melhor do que você. Se eu colocar mais uma qualidade nele, vai transbordar. Pedi tanto em oração, mas tanto, que acabei recebendo o bendito. Ô, menino bonito... Tira o fôlego, não só meu, mas de todas as outras pessoas. Correto, inteligente, educado. Do tipo que corre pra abrir a sua porta no carro e anda de mão dada com você na rua. Absurdamente lindo. Completamente o meu oposto. O cara perfeito pra todas as mulheres. Mas sou a única que não parece merecê-lo. E sou a única que ele quer merecer.
Queria ele pra ser pai dos meus filhos. Queria sua postura, seu caráter, seu gene. Queria ouvir um milhão de elogios incansáveis, mesmo quando tô toda suada ou com o rímel borrado. Porque ele é assim. Ama em mim tudo o que eu não gosto, e faz-me amar também. Aprendi a me amar um pouquinho mais, a me colocar em primeiro lugar, tudo graças ao menino. Mas é menino, sabe? Não é homem feito. Não tô falando de idade, de maturidade, de experiência. Ele é ingênuo e puro. Puta merda, ele é tudo o que eu pedi, você sabe, você me conhece. Ele abaixa a tampa da privada, deixa o último sushi pra mim, me oferece o casaco se eu tô com frio... E tudo o que eu consigo pensar é em como você não fazia nada disso. Como você era egoísta e comia o último sushi, me deixava passar frio e largava a maldita tampa sempre levantada. Tudo o que eu consigo pensar é em como eu odiava brigar com você por isso inúmeras vezes e por muito mais. Porque nós dois não brigávamos. Eu e o cara perfeito. Não brigávamos de jeito nenhum, por nada. Eu arranjava motivo pra brigar, mas ele não comprava minhas brigas. Tinha medo de que qualquer atrito fosse nos estragar, mas acabamos descobrimos jeitos melhores de brigar. Jeitos melhores ainda de reconciliar. Agora, brigamos bastante, mas nos reconciliamos tão rápido que nem consigo lembrar dos motivos de ficar brava com ele. Bem diferente de como era com você.
Encontrei, finalmente, paz. Procurava por tudo isso. A paz, a paciência, a ingenuidade que ele carrega no olhar. Você sabe, eu sempre te disse que era isso que eu queria em você. Te cobrei essas coisas por tanto tempo, e hoje que eu tenho, elas parecem tão banais. Banais sim, porque percebi que é o mínimo que alguém pode oferecer numa relação. Às vezes o melhor pra nós não é o que queremos, e sim o que merecemos. Mas, sabe, tô tentando ainda achar defeito nele. Parece que não tem nenhum. E o cara sem defeitos simplesmente me desespera porque não ter defeitos é praticamente o pior defeito que existe. Eu não conseguia gostar nem dos seus pequenos defeitos, mas me apaixonei pelo maior defeito do mundo nele.
Você se morderia, certamente, de ciúmes se me visse com ele na rua. O cara é digno de uma nota dez. Tenho certeza de que até você, daquele jeito estranho, admitiria isso. Porque ele é. Ele é tudo. Jesus, ele é tudo e mais um pouco. A facilidade que ele tem pra me tirar do chão é incrível. E olha que não tô falando metaforicamente não, é literalmente! Ele é muito forte e seguro de si, ao mesmo tempo em que é inseguro também. Quando ele é inseguro, meu Deus, tenho vontade de abraçá-lo até não poder mais. Ele também tem uma família de ouro, tipo a minha. É todo ligado neles. E eu sou ligada nele. Até certo ponto, sabe? Ele não discute comigo nem nas músicas, gosta de tudo o que eu gosto, apesar de não gostar realmente. Mas ta sempre agradando, sempre sorrindo, sempre adorável. Eu tô sorrindo só de pensar nele. Queria que você o conhecesse, queria saber tua opinião. Se você fizesse aquela careta amarga, bem, então aí eu saberia que acertei na escolha dessa vez. Porque ninguém te deixava inseguro, mas ele com certeza faria seu ego tremer.
Minha barriga revira quando eu o encontro, minha bochecha cora quando nos falamos. Me cuido toda pra não falar palavrão na frente dele nem parecer muito idiota. Mas, amar? Amar de verdade? Dá medo. Quando eu tento chamar alguém de “amor”, travo toda. Gaguejo. Repenso. Mas tô tentando, ta? Você ficaria orgulhoso. Depois de me aconselhar a seguir em frente, você pediria pra eu voltar atrás de remorso. Mas só posso agradecer. Tudo que ele me causa, tudo que ele me faz... Nunca senti nada parecido antes. Por isso, quando penso em amor, no amor que senti por você, não consigo encaixá-lo nele. É como se ele fosse muito melhor do que aquele sentimento murcho e morno que eu sentia por você. "Amor". Talvez seja por isso que travo quando quero chamá-lo assim, porque certamente não é do mesmo jeito que te chamava. Se tivesse algo maior que isso, o chamaria assim. Agora que aprendi o que é amor de verdade, o que é se sentir amada, eu não preciso de apelidos pra ele. Mas amor, com certeza, se encaixaria nele. Pelo menos esse amor que sinto agora, cheio, quente; tão quente que chega a me queimar. Esse amor, sim - é totalmente e somente ele. Ele é amor.
quarta-feira, 3 de outubro de 2012
Quase dois
Você foi a melhor parte de um ano desesperadamente assustador. Você foi o primeiro de, espero, não muitos, mas não foi o último. Você foi um amor indecente, verídico, impensado, corrompido. Você foi a alma de projetos e ideias e sonhos, você foi a essência de cheiros e gostos e moldes. Você, amor, foi pesadelo e depois o ombro pra reconfortar. Foi o peito que me acolheu nas noites frias e o pé que esquentou o meu. Você foi a barba mal feita que arranhou meu rosto e meu corpo nos momentos que eram nossos, e que hoje não são mais. Você... Você foi dor e foi cura, foi ferida e cicatrização. Você era a última coisa que eu via na sexta à noite e a primeira que eu enxergava quando abria os olhos sábado de manhã. Nunca quis nada além de você, porque você sempre bastou. Desse teu jeito torto e egoísta e dulcíssimo. Sempre tão honesto e desonesto e incompreensível. Você foi grande parte dos meus problemas e a maioria das minhas soluções. Foi a paciência, a compreensão, o afago, a manha. Você foi o certo e o errado, minha eterna contradição. Você foi meu melhor amigo. O melhor amigo que era namorado e marido e amante e encaixe. Você foi meses de briga, e de mais amor ainda. Meses de medo de te perder, de sorrisos sem motivo nenhum.
Você é saudade. Você é choro, calúnia, desgraça. É pesadelo e não mais reconforto. É sonho que faz questão de me visitar toda noite, é uma dor no peito sem explicação. Você, hoje, é um vento que passa e me dá frio e arrepio. Você é um estranho que me olha e não me reconhece, não me cumprimenta, não me oferece mais sorrisos. Você é mágoa e lembranças e memórias vívidas. É inúmeras fotos, sensações, calafrios. Você é um amor acabado, mas inacabado, daqueles que a gente tem que jogar tudo fora porque cada coisa lembra você, e tem que se esforçar ao máximo porque é difícil esquecer. Você é o amor que a gente se convence de que está morto, mas que soca a nossa cara quando aparece sem querer no mesmo restaurante que você, revira a barriga, te tira a fome e te faz ir embora. Você é pingo de mistura de sentimentos e memórias que fica guardado sempre compactado dentro do peito, esquecido, mas não some de jeito nenhum. Eu sou o pingo que não sumo de jeito nenhum pra você. Entendo como deve ser difícil seguir em frente vendo tudo o que eu estou fazendo, observando fotos novas minhas, reatando o relacionamento com os velhos sentimentos que só sabem incomodar. Não entendo, no entanto, a tua ignorância. A tua fuga, a tua covardia. Não entendo porque pra ser feliz não pode mais falar comigo. Se a infantilidade é tanta, só tenho a falar: você foi e você é criança.
Você foi quase dois anos de uma absurda alegria, de choros intermináveis, de discussões calorosas e recepções marcantes. Você foi a minha paz, a minha maturidade, o meu encontro comigo mesma. Foi meu piadista, meu intelectual, minha vida. Minha vontade de levantar durante a semana pra ela passar voando pra te encontrar. Você foi coisa ruim, mas muito mais coisa boa. Foi amor de madrugada, em cada canto da cidade. Foi amor a qualquer hora, por qualquer coisa. Você é a melhor das minhas lembranças, a melhor parte do meu passado, o ponto mais interessante das minhas histórias. Meu pior equívoco e meu maior acerto, meu mais valioso investimento. Você era feliz e não sabia, tinha tudo e não via. Eu era feliz e não sabia, nunca soube, até hoje não entendo direito, mas eu era a pessoa mais feliz do mundo. Você me fez a pessoa mais feliz do mundo. Você foi felicidade, cumplicidade, êxtase. Você é saudade. Você foi amor.
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sábado, 22 de setembro de 2012
Todas as manhãs
Eu procuro você na cama extremamente vazia, que o outro lado agora não está preenchido por roupas e livros e bagunça como sempre. Talvez ele esteja arrumado assim dando espaço pra alguém o ocupar, apesar de nós dois cabermos em só metade da cama, quando a outra metade era um caos. Nunca me importei em dormir na beira da cama, de lado, envolta nos seus braços. Era melhor do que ter ela inteira só pra mim, lembrando-me de que você não vem hoje à noite jogar vídeo game até sentir sono e depois dormir comigo apertadinho como se eu não tivesse aula amanhã. Sinto falta das minhas desculpas pra faltar a aula no sábado de manhã serem você, e não de faltar a semana toda sem motivo nenhum. Eu sei, eu sei. Eu tenho que focar nos estudos, tenho que me distrair, seguir em frente. Eu sei. Nunca ouvi tanto esses conselhos como nesse último mês. "Você merece alguém bem melhor", "você está bem melhor sozinha", "ele não te merece, nunca te mereceu", "vocês estavam em épocas diferentes, com cabeças diferentes, ele ainda é uma criança". Sabe, to cansada de ouvir isso. Alguém tem alguma outra desculpa? Melhor em que sentido? Mais bonito, mais inteligente, mais compreensivo? Mereço. Mas quem disse que não me bastava o pouco que ele era? Porque bastava...
Substituir amor, só com outro. Tem escapatória. Não to dizendo que não vou amar de novo, que não vou te substituir, porque eu vou, porque você não é insubstituível. To dizendo que ta difícil substituir as outras coisas. Colocar alguém no seu lugar enquanto você ainda arde vivo em todos os cantos da casa, do peito, da cidade. Construir tantas memórias e tirar mais fotos e ganhar mais presentes. Acumular tudo. Porque as memórias, as fotos, os presentes, tudo ainda ta aqui. Faço o que com eles? Eu ainda não sei. Apesar de ter passado bastante tempo, eu ainda não sei. Não te espero voltar, não te quero de novo. Mas não sei o que faço com tanta lembrança. Te jogo fora durante o dia todo, mas você volta à noite e me assombra em todos os sonhos, e eu lembro de cada um vivamente. Acordo sem a mínima noção de que era sonho, procuro você nas cobertas, no celular, na cabeça. E aí lembro que não vou te achar. Te amaldiçôo mentalmente. Choro baixinho, e não sinto vontade de levantar da cama. Todas as manhãs.
Eu só acho tão ridiculamente patético viver tanto tempo com um pessoa, construir uma fortaleza junto com ela, sonhos, esperanças, brincadeiras, confiança, e simplesmente abandoná-la. A fortaleza. Fingir que nada aconteceu, que nada existiu, que não se conhecem mais. Essa é a parte mais escarnificante do ser humano. Apesar de conhecê-la tão bem, não consigo deixar de me surpreender. As pessoas são tão insensatas quando acham que ignorando as memórias e deixando algo inacabado, vão se livrar de todo o resto. O muro, a fortaleza, ta de pé ali, ó. Pode ver. E isso, felizmente, é a única coisa que ninguém derruba, nem mesmo quem o construiu.
Substituir amor, só com outro. Tem escapatória. Não to dizendo que não vou amar de novo, que não vou te substituir, porque eu vou, porque você não é insubstituível. To dizendo que ta difícil substituir as outras coisas. Colocar alguém no seu lugar enquanto você ainda arde vivo em todos os cantos da casa, do peito, da cidade. Construir tantas memórias e tirar mais fotos e ganhar mais presentes. Acumular tudo. Porque as memórias, as fotos, os presentes, tudo ainda ta aqui. Faço o que com eles? Eu ainda não sei. Apesar de ter passado bastante tempo, eu ainda não sei. Não te espero voltar, não te quero de novo. Mas não sei o que faço com tanta lembrança. Te jogo fora durante o dia todo, mas você volta à noite e me assombra em todos os sonhos, e eu lembro de cada um vivamente. Acordo sem a mínima noção de que era sonho, procuro você nas cobertas, no celular, na cabeça. E aí lembro que não vou te achar. Te amaldiçôo mentalmente. Choro baixinho, e não sinto vontade de levantar da cama. Todas as manhãs.
Eu só acho tão ridiculamente patético viver tanto tempo com um pessoa, construir uma fortaleza junto com ela, sonhos, esperanças, brincadeiras, confiança, e simplesmente abandoná-la. A fortaleza. Fingir que nada aconteceu, que nada existiu, que não se conhecem mais. Essa é a parte mais escarnificante do ser humano. Apesar de conhecê-la tão bem, não consigo deixar de me surpreender. As pessoas são tão insensatas quando acham que ignorando as memórias e deixando algo inacabado, vão se livrar de todo o resto. O muro, a fortaleza, ta de pé ali, ó. Pode ver. E isso, felizmente, é a única coisa que ninguém derruba, nem mesmo quem o construiu.
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quarta-feira, 5 de setembro de 2012
Desconhecido
A novidade tornou-se velharia, e as pessoas têm essa mania tosca de trocar o velho pelo novo, mesmo sabendo que panela velha é que faz comida boa. Mesmo sabendo que a próxima novidade vai ser empolgante - momentaneamente -, mas que o desconhecido tem muitos pontos fracos. Intimidade, brincadeiras, apelidos, carícias, medos, vícios, compreensão, colo, choro, entendimento, facilidade, coração aberto, e amor - claro -, não se encontra no desconhecido. Quando o brilho ficar fosco, você vai deitar na cama querendo o abraço de uma pessoa só, e te garanto que não é do desconhecido. Você vai sentir falta da mão te procurando do outro lado da cama no meio da noite no escuro, te encontrando afastado e chegando perto pra envolver tuas costas com os braços. Esse tipo de calor não dá pra substituir. Você vai se encontrar sábado a noite em casa, meio sem rumo e chão, pensando no que fazer. Seu celular vai tocar e inconscientemente você vai achar que ela, mesmo sabendo que não é, e você vai dar um suspiro de alívio. Alívio por não ser ela, alívio porque você não queria que fosse ela, não queria trazer tudo à tona. Seus amigos vão te convencer a ir pra alguma festa, sem dificuldade nenhuma, e você já vai de carona com o intuito de beber muito e esquecer de tudo. Pode beijar uma, duas, ou quantas bocas quiser. Elas serão pequenas ou grandes demais para a sua, engraçadas e diferentes. Não é tão bom. A novidade faz parecer melhor do que realmente é. Você a afasta por um segundo e olha nos seus olhos, não verdes, procurando alguma coisa, que também não sabe o quê. Ela vai sorrir e o sorriso vai ser branco e bonito e não como você tava acostumado. Por um segundo bate um desânimo, mas você joga fora, ignora. Cinco da manhã você chega em casa, com aquela sensação de que ta faltando alguma coisa. Tira toda a roupa, as lentes, e deita na cama sentindo um frio absurdo que nenhuma coberta consegue cessar. Um frio que vem de dentro pra fora e esmaga o peito, e você aceita que é só a bebida te dando mal estar. Tem coisas que uma noite de festa não consegue te dar, tem faltas que desconhecidos não conseguem suprir. Um domingo vazio, de vídeo game e um almoço clichê. Sempre uma incógnita tua semana, mas também teus apoios e escapes. A vida te deu um tapa e mandou você aguentar e fingir que nada aconteceu. Você é fiel demais a isso. Leva em frente como se tivesse e quisesse aceitar a nova realidade, com lembranças afogadas no canto do cérebro. Você não vai voltar atrás porque se acha melhor do que isso. E você é. Atrás não tem mais nada, você está certo em escolher seguir em frente. Mas a opção de ir sozinho ou acompanhado é só sua.
sábado, 1 de setembro de 2012
Venci(da)
O silêncio ocupou o espaço que era dos risos e das conversas. Qualquer lugar era o lugar perfeito pra olhar desde que não fosse um para o outro. Dois corpos que não sabiam mais preencher o mesmo espaço e não estavam na mesma sintonia, mas insistiam em tentar. Tentar, não sei pra quê, porque na verdade era um tentando e o outro apenas levando em frente; ou não levando a lugar nenhum. Os olhos se encontravam, mas não se achavam, não se entendiam. As palavras não faziam mais sentido e por isso eram poupadas. Levamos muito tempo numa brincadeira meio sem razão e meio sem entender nada, jogando fora e depois catando de volta. A perda não é fácil pra ninguém. Nós sabíamos, mas não entendíamos. Nunca faltou amor. Não faltou atração, nem cumplicidade. Somente morreu a palpitação no coração e o frio na barriga e a sensação de conquista. Mas nós não tínhamos morrido, apenas não sabíamos mais nos reinventar, e desistir parecia mais fácil. Mais fácil pra você, pelo menos.
Você queria desistir e eu queria insistir. Uma briga que só teria um fim e a gente sabia. Mas nenhuma guerra é de verdade se um dos lados não insistir, não é? E lá fui eu, espada numa mão e escudo na outra, tentar buscar o que perdemos. A verdade é que eu já tinha jogado meu escudo fora há muito tempo, e minha espada não tinha mais ponta. Eu lutei por força do hábito. Eu lutei por acomodação. Lutei porque não quis aceitar que tinha que sair da nossa rotina e do nosso castelo, mesmo vendo ele desmoronar a minha volta. Eu lutei porque era a única coisa que eu sabia fazer ainda, e de tanto ter feito, tornou-se automático. Minha reação era lutar e tentar manter unido o que não tinha mais ligação. Mas se me perguntassem, eu não saberia explicar porque estava na guerra. Eu olhava pra você e implorava um pouquinho de ajuda, mas você jogou a toalha, rendendo-se. Não sei porque gastei as últimas palavras sabendo que eram em vão. Não sei porque tentei continuar em algo que eu nem sabia mais se era o que eu queria. Não sei porque eu hesitei em vez de aceitar a derrota. Força do hábito. Amor, talvez.
Você queria desistir e eu queria insistir. Uma briga que só teria um fim e a gente sabia. Mas nenhuma guerra é de verdade se um dos lados não insistir, não é? E lá fui eu, espada numa mão e escudo na outra, tentar buscar o que perdemos. A verdade é que eu já tinha jogado meu escudo fora há muito tempo, e minha espada não tinha mais ponta. Eu lutei por força do hábito. Eu lutei por acomodação. Lutei porque não quis aceitar que tinha que sair da nossa rotina e do nosso castelo, mesmo vendo ele desmoronar a minha volta. Eu lutei porque era a única coisa que eu sabia fazer ainda, e de tanto ter feito, tornou-se automático. Minha reação era lutar e tentar manter unido o que não tinha mais ligação. Mas se me perguntassem, eu não saberia explicar porque estava na guerra. Eu olhava pra você e implorava um pouquinho de ajuda, mas você jogou a toalha, rendendo-se. Não sei porque gastei as últimas palavras sabendo que eram em vão. Não sei porque tentei continuar em algo que eu nem sabia mais se era o que eu queria. Não sei porque eu hesitei em vez de aceitar a derrota. Força do hábito. Amor, talvez.
quinta-feira, 23 de agosto de 2012
Compreender
Quando você chegava em casa e eu te ligava tarde da noite querendo conversar e você dizia que tava cansado, eu ficava brava. Nunca entendi todo esse teu cansaço. Achei por muito tempo que era desculpa tua, não sei pra quê. Quantas vezes criei uma briga enorme por causa disso, e você só ficava mais cansado de ter que ouvir uma hora a namorada reclamar da falta de atenção pelo telefone. Muita gente trabalha e estuda e namora, e você é o única que fica cansado? Nunca entendi. Nunca tentei entender. Sempre tive essa coisa de mulher de ficar procurando defeito onde não tem, e achava fielmente que era tudo mentira tua porque não queria falar comigo. Achei que o problema era eu.
Hoje, te vejo sozinho chegando em casa... E cansado. Fazendo exatamente as mesmas coisas que fazia quando tava comigo. Chegava em casa estragado de fome, limpava a geladeira, assistia televisão e depois jogava o sagrado video game. Jogo de futebol, seu preferido e o único que eu não sabia jogar. Ficava quieto, não queria falar, não queria pensar. Queria teu tempo, teu espaço, teu silêncio. E eu nunca entendi.
Quando eu chegava em casa e te ligava tarde da noite, eu dizia que tava carente e queria conversar, e você ficava bravo. Você nunca entendeu minha carência e minha necessidade de atenção. Achou por muito tempo que era drama meu, só pra te incomodar. A gente brigava pelo teu cansaço, minha carência, nossa falta de diálogo e excesso de discussão. Um não via o lado do outro e isso matava aos poucos, lentamente.
Eu chegava em casa, estudava o dia todo, e não falava com você. Tudo o que eu queria era largar os livros, pegar o carro e ir até o teu trabalho pra te dar um beijo. Quando te mandava uma mensagem, você demorava pra responder, alegando que estava ocupado demais trabalhando. Tarde da noite, a hora que você chegava em casa, eu te ligava saltitante querendo jogar papo fora e ouvir tua voz. Cansado. Você tava cansado demais pra ouvir ou pra falar ou pra explicar. Tua grosseria e minha sensibilidade batiam de frente e magoava.
Me surpreendo de saber que foi isso que nos levou ao fundo do poço. Isso, principalmente. Justo nós, que sempre decidimos pelo diálogo quando houve alguma problema, deixamos a falta dele nos enforcar até matar. E matou. Matou porque faltou compreensão na hora mais simples do relacionamento. Você tava cansado e eu tava carente, não custava um ceder pro outro. Mas não, na verdade a gente sempre esperava que o outro fosse ceder todas as vezes e não cedia nenhuma. Egoísmo.
Eu deveria ter ido até a sua casa e te levar um chocolate e fazer uma massagem em vez de ligar. Deveria ter engolido a carência um dia ou outro e ter te dado o teu querido silêncio. Você, em troca, podia matar a carência que ficou acumulada pro outro dia me ligando e conversando um pouco comigo, ou só vindo me ver. O cansaço deixava pra hora de deitar a cabeça no travesseiro.
Um erro tolo, básico e simples de ser resolvido, e nós deixamos escapar. Tão óbvio que parecia invisível. Me perdoa se sentia tua falta só de ficar sem ti o dia todo. Me perdoa se te liguei carente e não entendi o teu lado. Hoje eu preferia passar o dia sem ti do que passar todo esse tempo longe. A falta que eu sinto acumula, e eu desabafo aqui. Espero que um dia, sem estares cansado, você possa ler aqui o nosso erro e, finalmente, compreender o meu lado.
Hoje, te vejo sozinho chegando em casa... E cansado. Fazendo exatamente as mesmas coisas que fazia quando tava comigo. Chegava em casa estragado de fome, limpava a geladeira, assistia televisão e depois jogava o sagrado video game. Jogo de futebol, seu preferido e o único que eu não sabia jogar. Ficava quieto, não queria falar, não queria pensar. Queria teu tempo, teu espaço, teu silêncio. E eu nunca entendi.
Quando eu chegava em casa e te ligava tarde da noite, eu dizia que tava carente e queria conversar, e você ficava bravo. Você nunca entendeu minha carência e minha necessidade de atenção. Achou por muito tempo que era drama meu, só pra te incomodar. A gente brigava pelo teu cansaço, minha carência, nossa falta de diálogo e excesso de discussão. Um não via o lado do outro e isso matava aos poucos, lentamente.
Eu chegava em casa, estudava o dia todo, e não falava com você. Tudo o que eu queria era largar os livros, pegar o carro e ir até o teu trabalho pra te dar um beijo. Quando te mandava uma mensagem, você demorava pra responder, alegando que estava ocupado demais trabalhando. Tarde da noite, a hora que você chegava em casa, eu te ligava saltitante querendo jogar papo fora e ouvir tua voz. Cansado. Você tava cansado demais pra ouvir ou pra falar ou pra explicar. Tua grosseria e minha sensibilidade batiam de frente e magoava.
Me surpreendo de saber que foi isso que nos levou ao fundo do poço. Isso, principalmente. Justo nós, que sempre decidimos pelo diálogo quando houve alguma problema, deixamos a falta dele nos enforcar até matar. E matou. Matou porque faltou compreensão na hora mais simples do relacionamento. Você tava cansado e eu tava carente, não custava um ceder pro outro. Mas não, na verdade a gente sempre esperava que o outro fosse ceder todas as vezes e não cedia nenhuma. Egoísmo.
Eu deveria ter ido até a sua casa e te levar um chocolate e fazer uma massagem em vez de ligar. Deveria ter engolido a carência um dia ou outro e ter te dado o teu querido silêncio. Você, em troca, podia matar a carência que ficou acumulada pro outro dia me ligando e conversando um pouco comigo, ou só vindo me ver. O cansaço deixava pra hora de deitar a cabeça no travesseiro.
Um erro tolo, básico e simples de ser resolvido, e nós deixamos escapar. Tão óbvio que parecia invisível. Me perdoa se sentia tua falta só de ficar sem ti o dia todo. Me perdoa se te liguei carente e não entendi o teu lado. Hoje eu preferia passar o dia sem ti do que passar todo esse tempo longe. A falta que eu sinto acumula, e eu desabafo aqui. Espero que um dia, sem estares cansado, você possa ler aqui o nosso erro e, finalmente, compreender o meu lado.
terça-feira, 12 de junho de 2012
Pra você
Nos olhos dele eu vi algo que não conhecia. Encarei-o, com o corpo formigando de excitação, observando cada traço de um corpo que preenchia perfeitamente o meu. Incrível como ele era exatamente tudo o que eu nunca quis e nunca procurei, como ele era absurdamente o contrário de todos os outros, todos os meus outros, o oposto do que eu sempre moldei pra mim. Inteligente, mas engraçado. Sincero, mas carinhoso. Altura, olhos, cabelo, voz, jeito, gostos, manias, defeitos e qualidades que não cabiam nos meus requisitos. Ele tinha tudo pra não passar no teste, mas foi o único que passou. É por isso que me intriga, excita, encanta e deixa meu corpo assim. Formigando.
Cheguei mais perto, passando de leve a mão nas suas costas, beijando-a toda e indo direto pra nuca. O cheiro que eu jamais vou esquecer, o cheiro que está por todo o meu quarto e fortemente marcado na minha cama. Ele ria e sua risada tremia seu corpo, que me tremia também. Arrepiava. De todos os amores que eu já senti, aquele era o mais vivo. O mais vivo e o mais calmo. Vivo, calmo, ardente, real, inspirador, sincero, adulto, palpável. Meu amor por ele era tão único que o medo de perdê-lo morava no meu peito. Como podia um amor tão grande habitar numa pessoa tão pequena...
Toda vez que eu assistia um filme romântico, me derretia em lágrimas e dizia pra ele o quanto eu queria viver uma história de amor como aquelas. Uma história difícil, verdadeira, intrigante. Ele sorria e beijava minha testa, nunca retrucou. Ontem ele me olhou nos olhos depois de um desses filmes e perguntou "queres uma história mais bonita do que a nossa? No dia em que a gente se conheceu, foi sorte você sequer olhar pra mim. Se não tivessem te magoado um dia antes, você não estaria aberta pra me conhecer. Mas, por alguma razão, você estava. Quando eu subi as escadas e te vi, não consegui disfarçar a surpresa. Eras tão linda que eu fiz papel de bobo na frente de todo mundo, parado no topo da escada, encarando uma menina que eu não conhecia. Você me encarou também, lembra? Nem sei quanto tempo ficamos lá nos olhando. Naquele momento a gente soube que não seríamos mais dois desconhecidos, mas grandes amantes. Foi naquele dia que nós ficamos a primeira vez e nunca mais nos separamos. Realmente, quer história mais bonita do que a nossa?".
Não, não quero. Eu quero ele hoje, amanhã, e de novo e de novo e de novo. Queria saber explicar o quanto eu gosto de nós dois juntos ou do jeito que ele mexe no cabelo ou fica sem graça quando eu faço um elogio. Ele me completa nas formas mais inimagináveis, nas maneiras mais absurdas. Amor, melhor amigo, porto seguro. Ele merece tudo o que eu tenho pra dar e mais um pouco. Você, meu amor, é a minha história de filme. É meu pedaço do quebra-cabeça e o meu cara certo na hora errada.
Feliz dia dos namorados, amor.
Cheguei mais perto, passando de leve a mão nas suas costas, beijando-a toda e indo direto pra nuca. O cheiro que eu jamais vou esquecer, o cheiro que está por todo o meu quarto e fortemente marcado na minha cama. Ele ria e sua risada tremia seu corpo, que me tremia também. Arrepiava. De todos os amores que eu já senti, aquele era o mais vivo. O mais vivo e o mais calmo. Vivo, calmo, ardente, real, inspirador, sincero, adulto, palpável. Meu amor por ele era tão único que o medo de perdê-lo morava no meu peito. Como podia um amor tão grande habitar numa pessoa tão pequena...
Toda vez que eu assistia um filme romântico, me derretia em lágrimas e dizia pra ele o quanto eu queria viver uma história de amor como aquelas. Uma história difícil, verdadeira, intrigante. Ele sorria e beijava minha testa, nunca retrucou. Ontem ele me olhou nos olhos depois de um desses filmes e perguntou "queres uma história mais bonita do que a nossa? No dia em que a gente se conheceu, foi sorte você sequer olhar pra mim. Se não tivessem te magoado um dia antes, você não estaria aberta pra me conhecer. Mas, por alguma razão, você estava. Quando eu subi as escadas e te vi, não consegui disfarçar a surpresa. Eras tão linda que eu fiz papel de bobo na frente de todo mundo, parado no topo da escada, encarando uma menina que eu não conhecia. Você me encarou também, lembra? Nem sei quanto tempo ficamos lá nos olhando. Naquele momento a gente soube que não seríamos mais dois desconhecidos, mas grandes amantes. Foi naquele dia que nós ficamos a primeira vez e nunca mais nos separamos. Realmente, quer história mais bonita do que a nossa?".
Não, não quero. Eu quero ele hoje, amanhã, e de novo e de novo e de novo. Queria saber explicar o quanto eu gosto de nós dois juntos ou do jeito que ele mexe no cabelo ou fica sem graça quando eu faço um elogio. Ele me completa nas formas mais inimagináveis, nas maneiras mais absurdas. Amor, melhor amigo, porto seguro. Ele merece tudo o que eu tenho pra dar e mais um pouco. Você, meu amor, é a minha história de filme. É meu pedaço do quebra-cabeça e o meu cara certo na hora errada.
Feliz dia dos namorados, amor.
segunda-feira, 28 de maio de 2012
Velho amor
Não é "se cuida". Não é desligar o telefone e ir dormir. Não é ficar duas horas falando besteira pra amanhã esquecer. É "me cuida". Desliga o telefone e vem dormir aqui em casa. Me aquece, me abraça com esses teus braços enormes, me aperta contra teu corpo. Dorme comigo pra acordar comigo e lembrar de mim o resto do dia. Não vá embora. Não vá embora de manhã, de tarde ou de noite. Trago café na cama, peço um almoço bem diferente e capricho na janta pra nós dois. Mas não me larga sozinha na vida de novo. Não volta pra essa tua rotina maluca e esbaforida que insistes em ter. Eu sei que é loucura, mas meu coração ainda dança frenético no peito e as borboletas reaparecem - achei que não existiam mais - na barriga quando te vejo. E é errado. Mas essa erupção que você causa e domina e assiste é incontrolável. Não se brinca num vulcão adormecido.
Eu choro porque eu deveria sentir isso por outra pessoa. Não que não sinta nada, é mais forte e concreto do que tudo isso, mas sinto falta da instabilidade. Sinto falta do cheiro e do gosto. Das brigas. Dos beijos. De verdade e mentira e oposição misturados em nós. Eu sinto sua falta.
E cada passo que eu dou pra frente, acabo endireitando o caminho de volta a você e ando em círculos. Te procurando, me endoidecendo. Nos amando. E sei que a regra é não esquecer o primeiro amor, e que o plano é aparecer de vez em quando pra sempre ser lembrado, mas deixa eu te falar uma coisa. Deixa eu te falar que esse plano funciona muito melhor do que você imagina. E a dor é grande e barulhenta e começa a ecoar desesperadamente dentro de mim, dando consequência nos outros. Você é o distúrbio que eu nunca consegui vencer, mas também nunca tentei de verdade. Porque te manter nas lembranças é muito melhor do que não te manter de jeito nenhum.
Não é que eu te queira de volta ou que eu tenha te perdoado pelos seus erros. Te quero longe e ainda sofro pensando em tudo o que você fez. As pessoas tem que entender isso. Não controlo meu coração, ou as borboletas da barriga, ou a vontade de te abraçar toda vez que te vejo. Mas isso não significa que te quero de volta na minha vida. Até desejo, mas não quero. Você é apenas a saudade que ficou aqui dentro e de vez em quando bate na minha porta pedindo colo. Eu dou colo. Nunca neguei. Mas de manhã cedinho te mando de volta pra casa, sem arrependimentos, sem dúvidas.
Porque todos esses anos eu tive certeza e você insegurança. Eu não sabia te dizer não, você não sabia se comprometer. Eu tentei, você fugiu. E eu continuei ali, esperando você aprender com seus erros e voltar correndo. Eu que aprendi com os meus, por isso hoje não te quero por perto. É por isso que hoje te digo não. E foi com os meus acertos que você aprendeu a reconhecer seus erros. Tarde demais pra se comprometer, não? Irônico.
Começar um texto te falando de saudade e de te querer por perto e terminar falando de mágoa e de não te querer realmente por perto é a maior prova de que você ficou marcado. Negativa e positivamente. Minha contradição, meu vício. Mas você é só isso: uma noite sem dormir, duas horas no telefone, um choro de saudade. Um passado que parece sempre recente.
Eu choro porque eu deveria sentir isso por outra pessoa. Não que não sinta nada, é mais forte e concreto do que tudo isso, mas sinto falta da instabilidade. Sinto falta do cheiro e do gosto. Das brigas. Dos beijos. De verdade e mentira e oposição misturados em nós. Eu sinto sua falta.
E cada passo que eu dou pra frente, acabo endireitando o caminho de volta a você e ando em círculos. Te procurando, me endoidecendo. Nos amando. E sei que a regra é não esquecer o primeiro amor, e que o plano é aparecer de vez em quando pra sempre ser lembrado, mas deixa eu te falar uma coisa. Deixa eu te falar que esse plano funciona muito melhor do que você imagina. E a dor é grande e barulhenta e começa a ecoar desesperadamente dentro de mim, dando consequência nos outros. Você é o distúrbio que eu nunca consegui vencer, mas também nunca tentei de verdade. Porque te manter nas lembranças é muito melhor do que não te manter de jeito nenhum.
Não é que eu te queira de volta ou que eu tenha te perdoado pelos seus erros. Te quero longe e ainda sofro pensando em tudo o que você fez. As pessoas tem que entender isso. Não controlo meu coração, ou as borboletas da barriga, ou a vontade de te abraçar toda vez que te vejo. Mas isso não significa que te quero de volta na minha vida. Até desejo, mas não quero. Você é apenas a saudade que ficou aqui dentro e de vez em quando bate na minha porta pedindo colo. Eu dou colo. Nunca neguei. Mas de manhã cedinho te mando de volta pra casa, sem arrependimentos, sem dúvidas.
Porque todos esses anos eu tive certeza e você insegurança. Eu não sabia te dizer não, você não sabia se comprometer. Eu tentei, você fugiu. E eu continuei ali, esperando você aprender com seus erros e voltar correndo. Eu que aprendi com os meus, por isso hoje não te quero por perto. É por isso que hoje te digo não. E foi com os meus acertos que você aprendeu a reconhecer seus erros. Tarde demais pra se comprometer, não? Irônico.
Começar um texto te falando de saudade e de te querer por perto e terminar falando de mágoa e de não te querer realmente por perto é a maior prova de que você ficou marcado. Negativa e positivamente. Minha contradição, meu vício. Mas você é só isso: uma noite sem dormir, duas horas no telefone, um choro de saudade. Um passado que parece sempre recente.
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